Patricia Ellen
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Patricia Ellen

Analista especial da COP30 da CNN Brasil, empreendedora da economia verde e especialista em soluções baseadas na natureza

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Rumo à COP30: avanços e expectativas após a Pré-COP em Brasília

Com 67 delegações reunidas, a pré-COP reforça o papel do Brasil na agenda climática

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Nesta semana, acompanhei de Brasília uma agenda intensa de reuniões e debates durante a Pré-COP, o evento que tradicionalmente antecede as Conferências do Clima da ONU.

O objetivo principal é antecipar os temas mais críticos das negociações, de modo que, ao chegarmos a Belém, em novembro, tenhamos melhores condições de avançar em acordos concretos.

A Pré-COP reuniu 67 delegações, um resultado diplomático importante que reforça o compromisso global com a COP30. Era uma das nossas principais preocupações — garantir a presença e o engajamento necessários — e essa etapa mostrou que estamos no caminho certo.

Financiamento climático e adaptação

Entre os avanços, destaco a inclusão do financiamento climático, especialmente o voltado à adaptação, como foco central dos debates. Estamos vivendo a jornada de Bacú a Belém, com a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035 — sendo US$ 300 bilhões voltados à adaptação em países emergentes.

As discussões avançaram, mas ainda não está claro como esses recursos serão, de fato, mobilizados. Seguimos, portanto, com expectativas altas, mas também com uma preocupação legítima sobre os mecanismos de implementação e a velocidade com que o capital chegará às regiões mais vulneráveis.

Florestas, carbono e esperança

Outro ponto relevante foi o fortalecimento do Fundo de Florestas Tropicais e o debate em torno do mercado de carbono. A ministra Marina Silva relembrou o compromisso do Brasil de US$ 1 bilhão e o apoio crescente de outros países a iniciativas que valorizam a preservação das florestas tropicais — essenciais para a estabilidade climática global e para o cumprimento das metas de descarbonização.

Esses avanços sinalizam uma esperança concreta de que a COP30 possa consolidar mecanismos financeiros de apoio à natureza, conectando preservação, desenvolvimento sustentável e justiça climática.

Setor privado e sociedade civil ampliam protagonismo

No setor privado, a mobilização também tem sido expressiva. Participei de encontros organizados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), pelo Sebrae e pela Sustainable Business COP (SB COP), que apresentaram recomendações claras para a agenda de ação e para o aumento dos investimentos privados em soluções climáticas.

Um destaque especial foi o debate sobre empregos verdes e empreendedorismo, que apontou o potencial global de criação de mais de 400 milhões de novas oportunidades de trabalho e renda, sendo 28 milhões apenas no Brasil.

Esses números mostram o tamanho da oportunidade que temos — tanto para atrair investimentos quanto para promover inclusão produtiva e uma transição justa para todos.

Olhando para Belém

De agora até novembro, seguimos nessa contagem regressiva para a COP30, acompanhando de perto como esses compromissos e anúncios vão se traduzir em resultados práticos.

O momento exige coordenação entre governos, empresas e sociedade civil para transformar promessas em ações efetivas e duradouras. A expectativa é grande — e é com esperança e foco que seguimos rumo a Belém.

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