Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Análise: Trégua entre EUA e Irã abre negociações decisivas

O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã reduz o risco imediato de uma crise global de energia, mas ainda está longe de representar um acordo de paz definitivo

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A minuta obtida pela CNN prevê o fim imediato das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada gradual do tráfego marítimo em até 30 dias.

Também determina a suspensão do bloqueio naval americano e autoriza, por meio de isenções do Tesouro dos EUA, a volta das exportações iranianas de petróleo, petroquímicos e serviços associados.

Para o mercado, esse é o ponto de alívio mais visível. Segundo a Agência de Informação de Energia dos EUA, Ormuz respondeu em 2024 e no primeiro trimestre de 2025 por mais de um quarto do comércio marítimo global de petróleo e por cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo e derivados.

Mas a normalização não será instantânea. A retirada de obstáculos técnicos, a eventual neutralização de minas, a volta de navios às rotas habituais, a recomposição de seguros marítimos e a reconstrução de estoques devem manter um prêmio de risco residual nas próximas semanas.

O acordo também abre uma frente financeira relevante. O texto prevê a liberação de ativos iranianos congelados e a criação de um plano de reabilitação econômica de pelo menos US$ 300 bilhões, condicionado ao avanço das negociações e ao cumprimento dos compromissos nucleares.

É aí que está o centro do problema. O memorando reafirma que o Irã não produzirá armas nucleares, mas deixa para o acordo final o destino do material enriquecido, os limites futuros do programa nuclear e o desenho permanente das inspeções internacionais.

Durante os próximos 60 dias, Teerã manteria o status quo nuclear e Washington não imporia novas sanções nem reforçaria suas forças na região. A remoção das sanções existentes, porém, dependeria de um cronograma ainda a ser negociado.

A ressalva é essencial. A própria CNN informa que o documento ainda não foi divulgado oficialmente, pode sofrer alterações e foi descrito por autoridades americanas como um documento político. A agência iraniana Tasnim também contestou a precisão das versões vazadas.

Por isso, o mercado deve ler o memorando como uma ponte, não como um ponto de chegada. Ele reduz o risco de choque no petróleo, mas não elimina o risco geopolítico.
A guerra pode parar agora. O acordo real começa a ser testado nos próximos 60 dias.