Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Londres dá o tom: quem vai chegar preparado à COP30?

Encontro internacional reuniu vozes influentes e apontou caminhos e cobranças para Belém

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Entre os dias 24 e 29 de junho, Londres se tornou o centro das atenções climáticas do mundo, reunindo lideranças e especialistas em uma intensa mobilização global.

A London Climate Action Week (LCAW) de 2025 reuniu formuladores de políticas públicas, representantes de governos, cientistas, lideranças indígenas, instituições financeiras e organizações da sociedade civil.

Foram mais de 700 eventos que anteciparam discussões decisivas para a COP30, que acontece em novembro, em Belém do Pará.

Desde sua criação em 2019, o LCAW consolidou-se como um dos principais fóruns climáticos globais ao conectar ações locais a compromissos globais como os do Acordo de Paris e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

 

Este ano, a preparação para a COP30 foi o foco central, com destaque para temas como financiamento climático, descarbonização urbana, transição energética justa e fortalecimento da governança internacional baseada em evidências científicas.

Com esse histórico, a edição de 2025 teve entre seus principais objetivos acelerar o alinhamento das finanças públicas e privadas com metas de emissões líquidas zero, fomentar parcerias entre cidades e setores econômicos e posicionar Londres como um polo estratégico de inovação em finanças verdes.

Essa abordagem colaborativa refletiu na variedade dos eventos promovidos e no perfil diverso dos participantes.

Metas ambientais

Um dos momentos de maior destaque foi o painel “Countdown to COP30”, que reuniu vozes estratégicas da diplomacia climática. Nele, o diplomata brasileiro André Corrêa do Lago, presidente da COP30, chamou a atenção para a crescente distância entre as metas nacionais e o limite de 1,5 °C previsto no Acordo de Paris.

Corrêa do Lago reforçou a urgência de compromissos mais ambiciosos e de uma articulação mais eficaz entre países, especialmente os maiores emissores.

Entre os resultados mais palpáveis, o LCAW exerceu pressão direta sobre os países para apresentarem Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) mais robustas e alinhadas com a ciência.

Um dos marcos foi o relançamento do Forest Tenure Pledge, um compromisso internacional criado na COP26 para ampliar o financiamento direto a povos indígenas e comunidades locais que protegem florestas tropicais.

Com apoio de países como Noruega, Alemanha e EUA, além de fundações privadas, a iniciativa já mobilizou US$ 1,7 bilhão entre 2021 e 2025.

Com isso, a LCAW 2025 reafirmou seu papel como etapa essencial na preparação para a COP30, não somente como espaço de debate, mas como arena concreta de articulações, compromissos e alerta.

Ao promover a troca de experiências, acelerar compromissos e amplificar vozes diversas, o evento reforçou a ideia de que as soluções climáticas exigem articulação multissetorial, inovação e, sobretudo, vontade política para transformar promessas em ação concreta.