Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Área sujeita a alagamento, mas qual é a rota de fuga?

Prevenção efetiva vai além do alerta e passa por oferecer soluções a quem está exposto ao risco

Placas em São Paulo para alertar sobre o risco em dias com chuva  • Pedro Côrtes
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A prevenção efetiva contra alagamentos vai muito além de emitir alertas ou instalar placas que indicam risco. Ela envolve, sobretudo, oferecer alternativas concretas para que as pessoas possam se deslocar com segurança quando a chuva intensa chega.

A adaptação às mudanças climáticas, nesse sentido, nem sempre exige obras caras ou soluções tecnológicas avançadas. Muitas vezes, ações simples, de baixo custo e alta efetividade, fazem toda a diferença na proteção da população exposta — mas essas medidas continuam ausentes em várias regiões urbanas do país.

Em março deste ano, esta coluna já chamava atenção para a necessidade de complementar a sinalização existente nas áreas sujeitas a alagamento em São Paulo. Na ocasião, uma foto destacava exatamente a mesma placa que ilustra a presente coluna, registrada novamente na semana passada.

Embora o alerta visual esteja presente, pouco se avançou desde então no que diz respeito à proteção prática dos pedestres e motoristas que transitam por esses pontos críticos da cidade.

Há também sinalizações menores, muitas vezes discretas demais para cumprir sua função de alerta. Mesmo com a indicação explícita de risco, falta o elemento mais básico de uma política de prevenção: uma rota de fuga clara e sinalizada.

Sem ela, o aviso se transforma em um alerta incompleto: informa o perigo, mas não orienta sobre como evitá-lo. E, quando a água sobe rápido, esses segundos de indecisão podem custar caro.

Para quem conhece bem uma região sujeita a esse risco, talvez seja possível improvisar um caminho mais seguro. Mas para quem circula ocasionalmente por essas áreas, a dúvida permanece: para onde correr? Para que lado seguir?

As chuvas em São Paulo têm se caracterizado, muitas vezes, pelo grande volume de água precipitada rapidamente, fruto das mudanças climáticas. Isso potencializa a ocorrência de enchentes, pois o sistema de drenagem urbana muitas vezes não consegue dar vazão ao volume excessivo de água. Portanto, não basta sinalizar que o risco existe. É necessário acompanhar o aviso com instruções objetivas, visíveis e acessíveis.

São Paulo já tem o diagnóstico: faltam agora as soluções que transformem a informação em proteção real e, nesse caso, o investimento necessário é bem reduzido, convenhamos.