Área sujeita a alagamento. E daí?
No enfrentamento das mudanças climáticas, ações de baixo custo podem fazer toda a diferença

Em Punta Arenas, extremo sul do Chile, há placas indicando rotas de fuga em caso de tsunami. Embora seja uma cidade que fica abrigada do oceano aberto, por estar junto ao estreito de Magalhães, ela segue as diretrizes para todas as cidades litorâneas do Chile.
Em 2010, o Chile sofreu com aquele que foi considerado o segundo maior terremoto já registrado no país, com uma intensidade de 8,8. Ele ficou atrás somente do terremoto de Valdívia de 1960, com 9,5 de intensidade, sendo o evento desse tipo mais extremo mundialmente já registrado.
Mais de 500 pessoas morreram, por conta do tsunami que se formou. Mais de dois milhões de pessoas foram impactadas e cerca de 500 mil casas sofreram danos graves. Desde esse evento, em 2010, todas as cidades litorâneas no Chile tiveram que definir e indicar rotas de fuga em caso de alerta de tsunami.
Não parece uma medida difícil de adotar, nem tão custosa. Mas, foi necessário que uma tragédia ocorresse para que as rotas de fuga fossem indicadas, mandatoriamente.
Área sujeita a alagamento
Na cidade de São Paulo, placas indicam áreas sujeitas a alagamento. Elas são importantes para alertar as pessoas sobre o risco que elas correm em dias com chuva. Por exemplo, não seria prudente deixar um veículo estacionado em uma área dessas em um dia nublado.
Mas vamos pensar nas pessoas que não conhecem os bairros onde essas placas estão instaladas. Para qual local elas devem se deslocar em caso de chuvas intensas? Qual a rota de fuga?
A falta dessa indicação seria equivalente a somente informar que uma área está sujeita a tsunamis, sem mostrar quais os locais seguros em caso de um evento desse tipo. Quem mora no local provavelmente sabe para onde se deslocar. E quem não mora?
Seria uma medida simples e que evitaria que pessoas se colocassem, involuntariamente, em uma situação de risco.
Novo padrão de chuvas
Estudos mostram que, em diversas cidades, as chuvas ocorrem com um padrão diferente daquele verificado no século passado. Há uma tendência clara de ocorrência de chuvas muito intensas, com grande potencial de gerar alagamentos. Em poucas horas, o volume de chuva pode se aproximar, ou mesmo ultrapassar, o total previsto para todo um mês.
Os sistemas de drenagem urbana não estão capacitados, em sua grande maioria, para dar vazão a volumes excepcionais de água. Até o termo excepcional cada vez mais é inadequado, pois os grandes volumes de chuva estão constituindo-se em um novo padrão e não em algo que ocorre muito esporadicamente.
É com esse contexto que temos que trabalhar. Por vezes, medidas simples podem ajudar em muito as pessoas a resistir a eventos extremos. O combate aos efeitos das mudanças climáticas ocorre em diversas frentes e a correta orientação constitui-se em uma das ferramentas mais importantes.



