Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Sistema Cantareira: Cemaden indica possível queda nos próximos meses

Segundo o instituição, se as chuvas seguirem o padrão histórico, o local deve permanecer na faixa de operação “Atenção” em setembro. No entanto, existe a possibilidade de chuvas abaixo da média

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O Sistema Cantareira é um conjunto de cinco represas interligadas, que formam o principal complexo de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP).

Desde a crise hídrica que afetou seriamente o Cantareira, com uma redução drástica de seu nível médio entre 2014 e 2016, a sua condição interessa a todos.

Parte dos mais de 20 milhões de habitantes da RMSP e de seus 39 municípios (incluindo a capital) dependem desse sistema. Desde a crise hídrica de 2014–2016, investimentos foram feitos para que os sistemas de abastecimento da RMSP fossem interligados, reduzindo a dependência do Cantareira.

Esses investimentos criaram maior flexibilidade, permitindo que, em caso de crise, outros mananciais sejam utilizados em substituição ao Cantareira. Entretanto, sua importância continua sendo muito alta.

O Cemanden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), elabora, periodicamente, um boletim com previsões sobre o comportamento do Sistema Cantareira com base nos prognósticos climáticos.

No relatório “Situação Atual e Projeção Hidrológica Para o Sistema Cantareira” (ano 11, número 103, março de 2025), o Cemaden considera que, caso as chuvas entre abril e setembro sigam a média histórica, o volume armazenado no Sistema Cantareira em setembro deverá permanecer na mesma faixa de operação atual.

No entanto, o nível seria ligeiramente inferior ao registrado em setembro do ano passado, quando alcançou 51%, na faixa de operação “Atenção”.

 

Caso as chuvas tenham uma redução de 25% abaixo da média, o Sistema Cantareira chegaria ao final de setembro com um volume de 37%, entrando na faixa de “Alerta”. Caso a redução seja de 50% no volume médio das chuvas, o sistema chegaria a 29% em setembro (faixa de “Restrição”). O gráfico a seguir mostra essas projeções.

 

Previsões climáticas

Isso são hipóteses. Por isso, é importante verificar o que o clima nos reserva para os próximos meses. Com o fim do El Niño, entramos em uma fase de neutralidade climática. Essa situação é emblemática, pois a crise de 2014–2016 começou, na verdade, em 2013, quando a quantidade de água que chegava às represas (o chamado Volume Afluente) passou por uma redução drástica. Isso ocorreu exatamente em uma fase de neutralidade, como essa que temos agora.

Em 2014, quando a crise foi oficialmente reconhecida, o volume do Sistema Cantareira apresentou uma redução drástica, também sob os efeitos de uma situação de neutralidade. Portanto, não devemos refutar a possibilidade de que isso ocorra novamente.

As previsões climáticas indicam que a situação de neutralidade poderá continuar até o final do ano, quando poderemos ter um retorno do La Niña. Neste ano, sob a influência de um curto La Niña, o Sistema Cantareira teve uma redução de chuvas em janeiro (13% abaixo da média), fevereiro (17% abaixo da média) e março (39% abaixo da média).

O gráfico a seguir mostra a previsão da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) sobre o comportamento do sistema El Niño — La Niña para os próximos meses.

Essa previsão, publicada em 10 de abril, mostra um aumento da tendência de um novo La Niña à medida que nos aproximamos do final do ano. É claro que vale o alerta de que as previsões podem ser mais imprecisas quanto mais distante estiver o período prognosticado.

Mas vale o alerta. A situação ideal para recarga dos mananciais do Sistema Cantareira seria a ocorrência de um novo El Niño, mas isso não aparece como provável até o final deste ano. Sendo assim, continuam valendo as recomendações para que o uso consciente da água prevaleça.
Há dez anos, a falta d’água cobrou o seu preço durante a crise hídrica.

Precisamos economizar para garantir que teremos água mesmo diante de situações climáticas desfavoráveis. Essa é uma situação que não deve ser descartada.