Ciclone e frente fria elevam risco de temporais no Sul
INMET prevê mais de 150 mm no sul gaúcho entre quarta e quinta; vento ganha força antes da entrada de ar frio
O Sul do Brasil entra nesta quarta-feira (19) em uma nova fase de instabilidade, com o Rio Grande do Sul novamente no centro das atenções. Chuva forte, trovoadas, possibilidade de granizo e rajadas de vento antecedem a passagem de uma frente fria e a entrada de uma massa de ar mais frio.
Segundo o INMET, as áreas de instabilidade permanecem sobre o Rio Grande do Sul nesta quarta-feira e avançam gradualmente para Santa Catarina. Porto Alegre e outras regiões gaúchas continuam sujeitas a chuva e trovoadas ao longo do dia.
A preocupação aumenta na quinta-feira. O INMET prevê a formação de um ciclone extratropical na costa gaúcha durante a madrugada, associado à frente fria que deverá avançar pela Região Sul.
A ciclogênese, entretanto, é um processo e não um instante isolado. A baixa pressão começa a se organizar e ganha definição à medida que se desloca pelo Rio Grande do Sul em direção à costa e ao oceano. Por isso, diferentes previsões podem adotar referências ligeiramente distintas para o momento em que o sistema passa a ser caracterizado como ciclone.
Essa diferença não altera o principal sinal dos modelos: quinta-feira deverá ser um período de forte instabilidade. O INMET projeta acumulados superiores a 150 milímetros no sul gaúcho entre quarta e quinta-feira.

É importante compreender esse número. Ele representa o acumulado previsto para os dois dias e para áreas pontuais, não a quantidade esperada em poucas horas ou de maneira uniforme sobre todo o estado.
O mapa de precipitação que acompanha este texto ajuda a mostrar a distribuição da chuva. A projeção para as 9h de quinta-feira indica uma extensa faixa de instabilidade entre Paraguai, nordeste da Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, com núcleos mais intensos sobre áreas gaúchas.
Como o mapa representa apenas três horas de precipitação, ele permite identificar onde a chuva poderá ocorrer com maior intensidade naquele intervalo. Em alguns desses núcleos, a escala aponta dezenas de milímetros em apenas três horas.
O vento também merece atenção, mas os valores precisam ser colocados em perspectiva. Para quinta-feira, projeções indicam rajadas entre 50 e 75 km/h em diversas áreas do Sul. O INMET admite picos pontualmente superiores a 80 km/h.
Na sexta-feira, com o ciclone mais organizado e avançando em direção ao oceano, aumenta a possibilidade de rajadas mais fortes no leste e nordeste do Rio Grande do Sul e no leste de Santa Catarina. Algumas projeções chegam à faixa de 70 a 100 km/h, mas os máximos dependerão da posição final do sistema.
Depois da chuva e do vento, o frio passa a ser o destaque. A frente favorecerá a entrada de uma massa de ar mais frio, com temperaturas abaixo de 10 °C ainda na quinta-feira em grande parte do interior gaúcho, no oeste catarinense e no sul do Paraná.
O mapa de sensação térmica projetado para as 9h de sexta-feira mostra essa mudança com clareza. Sobre boa parte do Rio Grande do Sul, predominam valores de um dígito, menores nas áreas mais frias e de maior altitude.

Para empresas, produtores e governos, o aspecto mais relevante é a sequência dos eventos. Chuva intensa e vento podem afetar rodovias, redes elétricas, lavouras e operações ao ar livre; pouco depois, a queda da temperatura modifica novamente as condições para atividades agrícolas, pecuárias e de infraestrutura.
Os próximos dias exigem, portanto, acompanhamento contínuo das previsões. Mais do que um único episódio de chuva ou vento, o risco está na rápida sucessão entre temporais, formação do ciclone, avanço da frente fria e entrada de ar mais frio sobre a Região Sul.



