Um ano após 64 morrerem, São Sebastião (SP) tem "show da reconstrução" e nova tempestade
Foram 100 milímetros de chuva em duas horas; prefeito afirma à CNN que "não adianta ficar cultuando a dor para sempre"

A chuva que começou pela região sul e foi varrendo a cidade de São Sebastião, no litoral Norte de São Paulo, na terça-feira (19), fez a água subir até meio metro do chão. Foram 100 milímetros em duas horas, sirenes acionadas e casas desocupadas no bairro de Vila Progresso.
Imagens registradas por moradores mostram a enxurrada de lama. Escolas foram temporariamente abertas para servir de abrigo.
Um dia antes, quando a cidade completou um ano das chuvas que deixaram 64 mortos em 2023, a cidade teve um evento chamado 'Show da Reconstrução', com shows de Henrique e Diego e Fernanda Costa ao custo de R$ 165 mil.
O evento gerou críticas por supostamente não respeitar o luto das pessoas que moram na cidade.
Segundo o prefeito, Felipe Augusto, todos os bairros da cidade - que estão passando por obras de drenagem - ficaram alagados, não há risco de desabamentos e a chuva não foi detectada pelos radares.
Ele ainda diz que objetivo da festa era celebrar a entrega de 518 moradias populares para pessoas que viviam em locais improvisados e que os shows programados foram remarcados para a véspera do aniversário da cidade, em 15 de março. Ele ainda disse à CNN que "não adianta ficar cultuando a dor para sempre".
"As críticas sempre vêm. Primeiro que nós não fizemos festa na Vila Sahy. Entregamos 518 unidades entre apartamentos e casas para pessoas que estavam vivendo em lugares improvisados", afirmou Augusto.
"Era um clima de alegria, as pessoas estavam felizes, saindo das moradias provisórias. A cidade veio de um Réveillon e Carnaval com festa e fizemos o maior festival de verão da história, com 30 mil pessoas por show. Já era um momento de alegria", completou o prefeito em entrevista à CNN.
Além do palco, a festa com a presença do governador Tarcísio de Freitas teve pula-pula, escorrega e algodão-doce para as crianças. A dupla Henrique e Diego doou parte do cachê, convertido em 518 cestas básicas para as famílias que ganharam as chaves dos imóveis.
"Durante todo o momento de busca, salvamento e reconstrução, nós sempre respeitamos as pessoas enlutadas. A cidade está vivendo alegria, não adianta ficar cultuando a dor para sempre. Eu entendo que a crítica é pertinente, faz parte do processo democrático e da sociedade", completou ele.



