Eleição SP: Adesão a escolas cívico-militares abre divergência no entorno de Nunes e divide pré-candidatos
Aliados do prefeito avaliam apoio ao projeto escolar de Tarcísio como um gesto ao bolsonarismo

Alvo de protestos de entidades estudantis e partidos de esquerda, o programa de escolas cívico-militares proposto pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) abriu uma divergência no entorno do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e divide as pré-candidaturas à prefeitura da capital.
O prefeito confirmou à CNN que a cidade vai aderir ao projeto de Tarcísio que foi aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Mais cedo, porém, auxiliares e aliados do prefeito disseram que não havia decisão tomada e que a prefeitura iria “consultar a comunidade escolar e familiar para dar à população o direito de escolher”.
A decisão do prefeito foi vista por aliados como mais um gesto ao bolsonarismo no momento em que o grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pressiona pela indicação do vice e reclama de falta de espaço nos rumos da campanha.
Bandeira bolsonarista, o tema também não é consenso entre os partidos que formam a coligação de Nunes, segundo fontes ouvidas pela CNN.
O pré-candidato Kim Kataguiri (UB) informou à CNN que é favorável á proposta. A pré-candidata Marina Helena ( Novo ) também concorda com o projeto alegando que os pais terão mais opções e o modelo, segundo ela, ataca um dos problemas da rede pública; "a falta de disciplina e perseverança".
A deputado Guilherme Boulos (PSOL) informou que ele é contra as escolas cívico-militares, que como professor não pode aceitar a militarização das escolas. "Isso é parte do projeto bolsonarista. Quem é prefeito de São Paulo não pode colocar a educação a serviço de gestos eleitorais", disse o pré-candidato.
A deputada Tabata Amaral (PSB) informou que "não há hoje um estudo que comprove a eficácia do modelo de escola cívico militar". "Meu olhar para a educação pública é sempre baseado nas evidências". "A própria SEDUC/SP não apresentou nenhum estudo até o momento que comprove os benefícios educacionais do modelo. A Prefeitura de SP deve apostar no que há evidências robustas e que dá certo: as escolas em tempo integral. A adesão do Nunes ao modelo é mais um movimento eleitoreiro, para conseguir o apoio do Tarcísio, do que um interesse real em melhorar a educação de SP. Por que não prioriza os 12 CEUs que prometeu entregar e que não ficarão prontos até o fim da gestão?", afirmou.



