Pedro Venceslau
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Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Pesquisas divergentes sobre Lula confundem bússolas eleitorais para 2026

Especialistas e políticos ouvidos pela CNN avaliam que a falta de clareza sobre o tamanho da rejeição ao presidente abre caminho para questionamentos

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A diferença registrada nos números recentes sobre a aprovação do governo Lula confunde as bússolas eleitorais e alimentam a narrativa dos petistas, que minimizam a alta rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A pesquisa PoderData, publicada nesta quarta-feira (17) aponta que a desaprovação a Lula é de 52% e a aprovação 42%.

Já segundo o levantamento da Genial/Quest, divulgado na terça-feira (16) o governo é desaprovado por 49% e aprovado por 48% dos entrevistados.

A divergência surge em meio às articulações políticas para 2026 e no momento em que o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) é pressionado pelo centrão a optar pelo projeto nacional em vez de tentar a reeleição no estado.

Estrategistas e especialistas ouvidos pela CNN avaliam que a falta de clareza sobre o tamanho da rejeição ao presidente abre caminho para que os dois lados da polarização questionem os números e os interpretem a seu favor.

“Nenhum instituto age de má fé, mas as diferenças metodológicas causam essa diferença. Isso provoca dificuldade no mundo político”, disse o cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Mackenzie.

Para o sociólogo Murilo Aragão, da Arko Advice, a diferença entre os números ainda não é tão significativa para mudar a percepção do eleitorado.

“A maior dúvida hoje está na oposição e é sobre o piso e o teto eleitoral de Flávio Bolsonaro”, afirmou.

O deputado Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, acredita que a discrepância nos números dificulta as análises de cenário neste momento.

“Vejo um equilíbrio muito grande entre a aprovação e desaprovação do governo. É difícil fazer qualquer análise agora”, disse o dirigente à CNN. Baleia ressalta, porém, que o MDB “não vai se guiar” por pesquisas em 2020.

O deputado federal Jilmar Tatto (SP), vice-presidente nacional do PT“, afirma que não "perderá tempo com pesquisa". "Quando for para valer, faremos as nossas pesquisas. É por elas que nos orientamos”, disse.

Já o deputado Ricardo Salles (Novo-SP) avalia que será “muito difícil” Lula reduzir a rejeição. “Vai ser muito difícil em meio a tantas más notícias na economia, percepção de retorno de corrupção generalizada e descontrole fiscal”, disse o parlamentar bolsonarista.