Pedro Venceslau
Blog
Pedro Venceslau

Pós-graduado em política e relações internacionais, foi colunista de política do jornal Brasil Econômico, repórter de política do Estadão e comentarista da Rádio Eldorado

Análise: Caso Zambelli não mobiliza direita italiana

Deputada também não recebeu sinalização de apoio de Giorgia Meloni; audiência será dia 04/12

Compartilhar matéria

Condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a dez anos de prisão pela invasão aos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a deputada Carla Zambelli (PL-SP) fugiu para Itália por ter cidadania e acreditar que seria protegida pelo governo do país europeu.

“Como cidadã italiana, sou intocável”, disse a parlamentar em entrevista à CNN Brasil em junho.

Presa em Roma, Zambelli aguarda a decisão da Justiça sobre sua extradição em audiência marcada para o próximo dia 4 de dezembro, sem que seu caso tenha mobilizado a direita italiana nem sensibilizado a primeira-ministra Giorgia Meloni.

Os advogados da deputada brasileira esperavam pelo menos um gesto público do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, mas isso não aconteceu até o momento.O Brasil e a Itália têm um tratado bilateral de extradição assinado em 1993, mas uma cláusula desobriga o país a fazê-lo no caso de cidadãos com dupla nacionalidade.

A Justiça vai avaliar se Zambelli se enquadra como perseguida política e se foi julgada por um tribunal de exceção, o que não é o caso do STF.

Por tribunal de exceção entende-se uma corte criada especificamente para determinado caso em vez do Judiciário convencional, o que é proibido no Brasil pela Constituição.

Em última instância, porém, o governo italiano pode tomar a decisão política de manter a deputada na Itália, o que poderia abrir uma crise diplomática.

O caso de Zambelli tem sido tratado de forma lateral pela imprensa do país, não mobilizou a opinião pública e chamou pouca atenção de políticos do campo de Meloni.