Bastidor: o que Lira e Padilha dizem sobre o embate no caso Brazão
Para Lira, Padilha rompeu acordo de não interferência do Executivo; ministro nega que tenha ventilado informações contra presidente da Câmara, dizem fontes

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), subiu o tom contra o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a quem chamou de “incompetente” e “desafeto”, porque o petista não teria cumprido um acordo de que o executivo não se envolveria no debate.
Segundo fontes próximas a Lira, o assunto era interno da Câmara, mas Padilha entrou na discussão e telefonou para deputados da CCJ.
O presidente da Câmara também viu as digitais do ministro nas informações de que o Palácio do Planalto considera o caso Brazão uma “derrota” do deputado do PP, além de uma vitória governista.
Interlocutores de Padilha negam que ele tenha feito esse movimento e dizem que essa foi uma “leitura da imprensa”.
Para demonstrar que não envolveu no processo, Lira disse a aliados que tocou a sessão com “mão de ferro” e sem permitir a discussão “desnecessária”.
Lira avalia que a vitória apertada da manutenção da prisão do deputado - como previsto - mostra que é “forte” a reação interna às decisões do STF que atinge parlamentares e que a condução em regime de rito “sumaríssimo” evitou o acirramento maior dos ânimos entre os adeptos da polarização.
Segundo fontes, Lira acredita que o sentimento “anti-STF” na Câmara é muito forte e não se pode descartar em breve algumas ações nessa direção - a de se estabelecerem regras que delimitem o papel de cada Poder ou mesmo de atuação e funcionamento da Corte.
Já pessoas próximas a Padilha dizem que a avaliação do ministério é que a votação teve o resultado de uma “circunstância específica”, sem qualquer relação com a sucessão da Câmara.



