Centrão e PL divergem sobre “timing” e possível vice de Tarcísio
Entorno de Bolsonaro defende Michelle Bolsonaro, mas partidos preferem nome do bloco
As reiteradas declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de que vai disputar a reeleição em São Paulo não abalaram a convicção do centrão e do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que o chefe do executivo paulista é o nome mais forte da direita para disputar o Palácio do Planalto.
A questão que divide a oposição é quando colocar o bloco na rua e com quem.
Dois aliados que estiveram com Bolsonaro recentemente disseram à CNN que a ideia é manter a narrativa de fé na reversão da inelegibilidade no TSE, que aconteceria após a aprovação da anistia aos envolvidos no 08/01.
Ou seja: não se fala em substituição até fevereiro do ano que vem.
O ex-presidente estaria convencido de que apenas dois nomes teriam chance de derrotar o presidente Lula: ele próprio ou Tarcísio.
O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não estaria no radar eleitoral do clã, do PL e nem do centrão.
Na conversa de três horas que tiveram em Brasília, Tarcísio e Bolsonaro teriam concordado que antecipar o anúncio do escolhido do ex-presidente não traria nenhuma vantagem para ambos.
Para Bolsonaro significaria o esvaziamento do seu capital político e para Tarcísio a exposição precoce o colocaria como alvo de fogo amigo e inimigo, além da imagem de que estaria deixando o estado em segundo plano.
O governador, segundo fontes, quer fazer muitas “entregas” de obras e projetos para consolidar sua posição no maior e decisivo colégio eleitoral.
Essa imersão paulista ajudaria o governador a garantir uma vantagem folgada no estado que ajudaria a compensar a votação expressiva que Lula historicamente tem no Nordeste.
Uma fonte do PL calcula que em 45 dias de trabalho intenso nas redes e na TV, o ex-presidente transfere seus votos fiéis ao aliado, que partiria em busca do eleitor do centro antipetista.
O cenário desenhado pelas fontes bolsonaristas ouvidas pela CNN prevê que a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro (PL), seja a vice do governador.
Esse plano de voo, porém, não está alinhado com o centrão.
Os caciques do União e PP querem definir o candidato da direita no máximo até dezembro e ainda preferem Tarcísio, mas ventilam agora a possibilidade de ungir o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD).
Há muitas reclamações na oposição de que o timing de Bolsonaro estaria paralisando as articulações regionais.
O centrão vê as negativas de Tarcísio como um recuo tático, mas está apreensivo.
O bloco também avalia que um vice sem o sobrenome Bolsonaro agregaria mais, reduziria a rejeição e esvaziaria a estratégia de polarização desenhada pelo PT.



