Governo e PT adotam cautela no caso Master e temem uso eleitoral
Base no Congresso ainda não recebeu orientação sobre o caso
O PT e o governo adotaram um tom cauteloso em relação às investigações sobre o banco Master e temem que o caso sirva de munição para oposição atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) nas eleições.
Fontes da cúpula petista e deputados do partido ouvidos pela CNN disseram que ainda não receberam orientações do Palácio do Planalto e que a bancada na Câmara foi liberada pelo líder, Lindbergh Farias (RJ) para assinar o pedido de CPI apresentado pelo PSB e Cidadania.
A leitura é que o caso não atinge diretamente a legenda ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que uma Comissão Parlamentar de Inquérito poderia causar danos colaterais para ambos.
Mesmo assim, parte dos petistas deve assinar o pedido de olho na repercussão eleitoral.
“O governo, o Banco Central, a PF e a Fazenda estão agindo nesse caso. Qualquer ação além disso serviria para politizar o caso”, disse à CNN o deputado Jilmar Tatto (SP), vice-presidente nacional do PT.
Outro parlamentar disse reservadamente que vê como “delicada” a situação do ministro Dias Toffoli, do STF, e que o caso Master pode fragilizar Alexandre Moraes.
Outra fonte petista pontuou que a investigação atinge o mundo político de forma “ecumênica”, mas teme que a direita bolsonarista instrumentalize o caso, o que jogaria o tema “corrupção” no centro do debate eleitoral.
Há na sigla uma leitura convergente de que a corrupção é um tema “desconfortável” para o PT e que seria melhor reduzir o ruído e a espuma em torno do caso.



