Paes e Ruas estreiam agendas com Lula e Flávio sob estratégias opostas
Candidatos ao governo do Rio adotam estratégias diferentes para explorar apoio dos presidenciáveis

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarcaram neste sábado, 22, no Rio de Janeiro para os primeiros eventos oficiais ao lado de seus respectivos aliados na disputa pelo governo do Estado. As estratégias de Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL), porém, são opostas na forma como pretendem explorar a associação com os presidenciáveis.
Líder da pesquisa Datafolha, com 41% das intenções de voto no primeiro turno, Paes tem 27% entre os eleitores bolsonaristas. Entre os petistas, chega a 59%.
O cenário explica a cautela do ex-prefeito em colar sua campanha à de Lula. Como a maior parte do eleitorado de esquerda já está com Paes, o principal desafio do candidato é ampliar sua votação entre os eleitores conservadores, especialmente no interior do Estado.
Os petistas sabem disso e não pressionam Paes a aderir integralmente à campanha presidencial de Lula. A expectativa, porém, é que o candidato faça gestos de aproximação com o presidente — como o evento deste sábado, em Bangu.
A situação de Douglas Ruas é inversa. Ainda desconhecido de uma parcela do eleitorado e sem ter assumido interinamente o governo do Estado, como chegou a ser cogitado em razão de sua presidência na Assembleia Legislativa, o candidato do PL depende mais da associação com Flávio Bolsonaro para ampliar sua competitividade.
Ruas tem 33% das intenções de voto entre os eleitores bolsonaristas e apenas 7% entre os petistas, segundo o Datafolha.
A diferença de desempenho entre os dois grupos ajuda a explicar as estratégias eleitorais dos candidatos. Enquanto Paes precisa reduzir a rejeição entre o eleitorado de direita sem perder a vantagem consolidada à esquerda, Ruas tem como prioridade mobilizar o eleitorado bolsonarista e transformar a força de Flávio em votos para a disputa estadual.
Nesse cenário, a presença dos presidenciáveis cumpre funções distintas nas duas campanhas: para Paes, Lula é um apoio que precisa ser administrado; para Ruas, Flávio é um dos principais instrumentos para ampliar o conhecimento e a competitividade de sua candidatura.



