Debate no RJ: candidatos focam em segurança, corrupção e ataques a Paes

Primeiro confronto da disputa ao Palácio da Guanabara teve ataques contra apadrinhamento político e denúncias de crime organizado

João Scavacin, colaboração para a CNN Brasil
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Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro concentraram as discussões do debate da Band neste domingo (9) em temas como segurança pública, corrupção e críticas ao ex-prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD-RJ), que desistiu de ir aos debates eleitorais e sabatinas antes do início oficial da campanha, em 16 de agosto.

Ao longo das rodadas de perguntas de jornalistas, Douglas Ruas (PL), William Siri (PSOL), Anthony Garotinho (Republicanos) e André Marinho (Novo) apresentaram propostas para áreas como segurança, educação, mobilidade urbana e saúde.

Na discussão sobre segurança pública, Douglas Ruas afirmou que o problema é "difícil, mas não impossível". O candidato do PL disse que pretende alterar a política de segurança e estabeleceu a retomada de território como principal indicador.

"Nós vamos alterar essa política de segurança pública. O principal indicador será a retomada de território. Nós vamos obrigar os nossos homens a trabalharem com aquilo que realmente precisa. Nós precisamos devolver a liberdade econômica para as pessoas que moram nessas comunidades", declarou.

O candidato também compartilhou que pretende criar uma estrutura de assistência jurídica para policiais. Segundo Ruas, a chamada advocacia do policial acompanharia o agente desde o registro da ocorrência na delegacia até o fim do processo. "Nós vamos também criar a advocacia do policial para que ele possa ser assistido desde o primeiro momento no registro de ocorrência na delegacia até o final do processo. O nosso policial não vai gastar mais dinheiro com o advogado."

Educação

Na rodada sobre educação, William Siri criticou a situação salarial dos professores no estado. O candidato do PSOL relatou que o Rio tem o pior salário da federação e mencionou o pagamento do piso nacional durante a gestão do governador Cláudio Castro.

"Pior salário de toda federação. É importante lembrar que nem o piso nacional o Claudio Castro paga, pagou até então", afirmou.

Além disso, Siri defendeu a educação em tempo integral e disse que o modelo deve incluir atividades complementares às aulas. "Ao mesmo tempo eu quero colocar nesse ensino integral, são quatro refeições, ter cultura, ter lazer, ter esporte, é isso que nós precisamos, porque isso funcionava antigamente."

Mobilidade urbana

Na discussão sobre mobilidade urbana, Anthony Garotinho mencionou a necessidade de preparar profissionais diante das mudanças no mercado de trabalho. O candidato do Republicanos falou sobre tecnologia nas escolas, bolsas e capacitação de professores. "Profissões que existem estão acabando. Precisamos capacitar professores para ensinar."

Garotinho chegou a criticar o contrato da SuperVia, que opera o sistema ferroviário do Rio de Janeiro.

"O contrato da SuperVia é uma vergonha de sempre", expôs.

Saúde e críticas a Paes

Na rodada sobre saúde, André Marinho fez uma referência direta à ausência de Eduardo Paes no debate. O candidato do Novo imitou o ex-prefeito antes de abordar a situação da saúde e mencionar a falta de dipirona.

"Se vocês acharam que o Eduardo Paes não ia estar aqui presente, estou aqui, porque até eu estou fraudando todas as OS (Ordens de Serviço) que estão por aí. Está faltando dipirona enquanto são milhões ali", comentou, antes de interromper a imitação e dizer: "Uma breve lembrança do nosso fujão".

Marinho citou a falta de integração de dados entre municípios, estado e União e apresentou uma proposta para a área.

"É criminoso o que é feito na falta de integração de dados também entre todos os municípios, todos os entes aqui do estado do Rio de Janeiro. Eu vou criar o Código Vermelho da Saúde, a gente precisa fazer uma grande iniciativa para realmente fazer essa integração", declarou.

As críticas a Paes também apareceram na fala de Douglas Ruas. O candidato do PL relacionou a ausência do ex-prefeito às dificuldades na realização de cirurgias e nos atendimentos de média e alta complexidade.

"Talvez seja esse o motivo da ausência do Eduardo Paes aqui hoje. Como que ele vai explicar ao cidadão do Estado do Rio de Janeiro, a você que está nos assistindo, que ele vai resolver o problema das cirurgias, das médias e alta complexidade, se ele não consegue sequer entregar uma dipirona", afirmou.

Acusações sobre crime organizado

Além dos temas propositivos, o debate foi marcado por acusações relacionadas ao crime organizado e à milícia.

"O problema do Rio de Janeiro não é falta de dinheiro, é excesso de ladrão e a gente precisa ter firmeza nesse sentido para a gente poder trazer o Rio de volta para você", disse Marinho durante embate com Ruas.

Siri, por sua vez, atacou Ruas dizendo que "o PL está organizando o crime no RJ" e que "a extrema direita organiza essas organizações criminosas no Rio de Janeiro".

"São duas candidaturas colocadas que defendem uma das três organizações criminosas do estado. O estado tem o tráfico, o estado tem a milícia e o estado tem a Alerj", disse Garotinho. "As organizações criminosas, infestadas de bandidos, um amigo da Lucinha, madrinha da milícia, outro amigo do Rodrigo Bacellar, o homem do Comando Vermelho."

Ainda no debate, Garotinho citou nomes ligados ao governo estadual e à prefeitura ao fazer novas acusações. "Rio de Janeiro tem dois cidadãos que controlam a vida e a morte das pessoas. No Estado chama-se Doutor Luizinho e na prefeitura chama-se Daniel Soares. Um apoia Eduardo Paes, outro apoia Douglas Ruas. Esse time é que inferniza sua vida."