Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Inter apresenta "Regra dos 50", nova meta sobre crescimento e rentabilidade

Diretriz servirá de guia para companhia nos próximos três anos

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A Inter&Co apresentou uma nova diretriz estratégica batizada de “Rule of 50”, durante o Owner’s Day, evento realizado para investidores na Nasdaq, a bolsa de tecnologia de Nova York.

O conceito foi apresentado nesta segunda-feira (11) por João Vitor Menin, CEO Global do Inter, e é inspirado na “Rule of 40”, métrica popularizada entre empresas de tecnologia nos Estados Unidos, em que a soma do crescimento da companhia com sua rentabilidade deve superar 40%.

No caso do Inter, a proposta é elevar a régua para 50%, combinando expansão do crescimento percentual anual da receita com ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido). Essa será a principal diretriz para orientar a companhia nos próximos três anos.

Segundo Menin, o objetivo é reforçar ao mercado que o Inter consegue crescer mantendo eficiência e rentabilidade. O desafio é considerado central para fintechs e bancos digitais após anos em que investidores priorizaram ganho de escala e expansão de clientes acima da geração de lucro.

“Para atingir a Rule of 50, nossa execução terá como foco principal o aumento da penetração de crédito, o crescimento da base de depósitos e a expansão do número de clientes que utilizam o Inter como sua instituição financeira principal”, disse o executivo durante o evento, que faz parte da Brazil Week, semana de encontros de empresários brasileiros em Nova York. "O conceito explica muito bem como o Inter gosta de operar: com um equilíbrio muito bom entre crescimento e rentabilidade", acrescentou Menin.

Dados e inteligência artificial devem impulsionar crescimento

A estratégia do Inter para ampliar a rentabilidade passa pelo aumento do uso de tecnologia e inteligência artificial. Durante o Owner’s Day, em Nova York, o CEO global da Inter&Co afirmou que o crescimento do banco será sustentado por três pilares principais: o Super App, o cruzamento de dados da companhia e a Seven, nova assistente de inteligência artificial do banco.

Segundo o executivo, o Super App concentra diferentes serviços em uma única plataforma, permitindo que o cliente realize diversas operações com apenas um login. A avaliação da companhia é que essa integração aumenta o engajamento dos usuários e pode ampliar as oportunidades de venda de produtos dentro da própria base de clientes.

Outro eixo estratégico é a capacidade de processamento de dados alimentada diariamente pelas milhões de transações realizadas na plataforma. De acordo com o banco, essa base de informações ajuda a personalizar ofertas e também a sustentar o crescimento da carteira de crédito de forma sustentável em um ambiente macroeconômico desafiador, marcado pela taxa básica de juros, Selic, em 14,50%.

O terceiro pilar é a Seven, a assistente de inteligência artificial. A proposta é que a ferramenta funcione de forma mais proativa e personalizada, inaugurando uma nova etapa no uso de agentes de IA dentro do sistema financeiro.

Segundo a empresa, a assistente será capaz de organizar informações financeiras do usuário, lembrar pagamentos, analisar hábitos de consumo e oferecer recomendações mais individualizadas a partir do comportamento do cliente.

A expectativa do banco é que a combinação entre integração de serviços, inteligência de dados e IA aumente o nível de utilização da plataforma, amplie a oferta de produtos para clientes já existentes e fortaleça a rentabilidade da operação.

O Inter foi pioneiro entre os bancos digitais no Brasil, lançando a primeira conta online em 2015. A companhia abriu capital na B3 em 2018 e, em 2022, migrou suas ações para a Nasdaq, nos Estados Unidos.

A estratégia atual busca reforçar esse posicionamento de pioneirismo digital, tanto com a expansão do conceito de Super App quanto com o avanço no uso de inteligência artificial aplicada aos serviços financeiros.

Cenário turbulento

Turbulências no cenário político doméstico e internacional tem pressionado a inflação e os juros, mas o diretor financeiro do Inter, Santiago Stel, afirma que a volatilidade é boa para o negócio.

"Quando há movimentos externos ou conflitos geopolíticos, há mais movimentação de dinheiro entre os países e a vertical de remessas têm mais movimento. Com o dólar mais barato, as pessoas mandam dinheiro para fora, ou fazem o contrário quando está caro. Investimentos de renda fixa migram para ações ou ativos alternativos geram retornos maiores também", disse Stel.

Segundo o diretor financeiro do banco, os produtos de crédito -- que respondem por 75% das receitas do Inter - superando os serviços, com 25%-- tendem a crescer mais em momentos como este, quando os clientes buscam produtos como o financiamento imobiliário, que são produtos que têm um custo de dívida mais baixo.

"Em geral nós nos beneficiamos da volatilidade, mas com uma abordagem de gerenciamento de risco conservadora porque a palavra-chave para nós é sustentabilidade de negócio. A sustentabilidade tem a ver com o retorno sobre o patrimônio crescendo, com uma carteira diversificada e com uma carteira principalmente 'colateralizada' em produtos que são seguros tanto para a cliente como para nós", afirmou Stel.

Balanço

As apresentações do evento ocorreram dias após a divulgação do balanço do primeiro trimestre da companhia. A Inter&Co registrou lucro líquido de R$ 394,8 milhões no período, alta de 38% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.

Com estratégia focada no Super App financeiro, a plataforma atingiu 44 milhões de clientes totais e registrou o maior salto trimestral na taxa de ativação desde 2024, com quase 60% da base considerada ativa.

Além da nova regra, os executivos apresentaram outros caminhos para a estratégia da companhia nos próximos anos: ter um Single Smart Super App, que integra a jornada do cliente; uma base de dados robusta, alimentada por milhões de transações diariamente; e a Seven, nova assistente de inteligência artificial do Inter.

Rubens Menin é chairman da MRV&Co, controlador do Inter, da Log Commercial Properties e presidente do Conselho da Itatiaia e da CNN Brasil.

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