Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Lula diz não ter preferência por EUA ou outro país sobre terras raras

Presidente conversou com Trump sobre parcerias e ministro de Minas e Energia citou potenciais investimentos americanos no setor

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (7) que o Brasil não tem preferência por nenhum país ao se referir a possíveis acordos para exploração de minerais de terras raras.

A declaração aconteceu durante coletiva de imprensa concedida logo após o encontro com o presidente Donald Trump em Washington.

"Nós não temos preferência. O que nós queremos é fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas, quem quiser participar conosco para ajudar a fazer a mineração, para fazer a separação e para produzir a riqueza que essa terra rara nos oferece, estão sendo convidados para ir ao Brasil", disse Lula.

O presidente mencionou que a possibilidade de realizar parcerias no setor está prevista no projeto sobre minerais críticos que foi aprovado pela Câmara dos Deputados na última quarta-feira (6) e ainda deve passar pela análise do Senado.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também participou da coletiva de imprensa em Washington e afirmou que os Estados Unidos devem anunciar investimentos no setor.

"Nós saímos daqui, na área de Minas e Energias especificamente, extremamente otimistas com essa relação que nós vamos ter de investimentos também americanos no Brasil", disse Silveira.

O presidente Lula destacou que a China vem sendo frequentemente citada nas discussões sobre os minerais, que são cruciais para a produção de produtos de alta tecnologia, mas enfatizou a importância do Brasil.

O Brasil é o detentor da segunda maior reserva mineral de minerais de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, ou cerca de 23% dos recursos globais, só atrás da China, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

"Eu disse ao presidente Trump que nós não só fizemos algo extraordinário aprovando na Câmara, a Lei sobre minerais críticos, como aprovamos um Conselho sob a Coordenação da Presidência da República, tratando os minerais como uma questão de soberania nacional, para nós possamos compartilhar o potencial do Brasil ainda pouco conhecido", afirmou Lula.

Lula acrescentou que o Brasil só tem conhecimento de 30% das suas reservas de minerais críticos e agora o país "tem a obrigação de ter um conhecimento de 100% do território", para compartilhar os recursos com parceiros interessados em investir no Brasil.

Segundo Silveira, na reunião com Trump, o presidente destacou que o Brasil é um solo fértil para investimentos, pela sua segurança jurídica e suas potencialidades.

"Mas é solo fértil também porque é mais barato investir e refinar os materiais no Brasil, gerando riqueza, gerando renda, gerando emprego e gerando, principalmente, divisas para o país", disse.

Fontes do governo haviam antecipado à CNN que o governo Lula desejava abordar o assunto reduzindo ruídos criados recentemente sobre o tema. Entre eles, o memorando assinado em março entre o governo Trump e governador de Goiás sobre a exploração de minerais de terras raras.

O governo Lula criticou veementemente a medida e afirmou que Ronaldo Caiado — pré-candidato à Presidência pelo Partido Social Democrático (PSD) — avançou sobre temas de competência do governo federal.

Uma fonte próxima a Lula havia dito que o memorando firmado com um governo estadual não tem poder institucional e tratava-se de "factoide de campanha", uma vez que a competência para regulamentar o subsolo brasileiro é da União, conforme prevê a Constituição.

Em janeiro, o governo Trump fez um aporte na empresa norte-americana USA Rare Earth, de US$ 1,6 bilhão, e passou a ser dono de cerca de 10% da companhia. A injeção de recursos possibilitou a compra da mineradora goiana Serra Verde por US$ 2,8 bilhões em abril.

O governo buscou contornar os constrangimentos diplomáticos causados pelo memorando e pelo aporte na empresa goiana ao levar a discussão na Casa Branca para aspectos técnicos, disseram fontes que estavam presentes na reunião.