Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

À CNN, EUA cobram ação mais agressiva e seriedade do Brasil contra PCC e CV

Porta-voz do Departamento de Estado diz que combate às facções é insuficiente e nega que sanções visem aumentar a ingerência dos EUA sobre o Brasil

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A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Amanda Roberson, cobrou medidas mais agressivas do Brasil contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, ela afirmou que o país ainda não enfrentou suficientemente as duas facções.

“Acreditamos que o Brasil ainda não confrontou estes grupos suficientemente, então gostaríamos de ver o Brasil tomar medidas mais agressivas”, disse.

Questionada sobre quais ações o governo brasileiro deveria adotar, Amanda afirmou que cabe ao Brasil decidir quais ferramentas utilizará. A porta-voz disse que os Estados Unidos gostariam que o governo brasileiro tratasse com seriedade a responsabilidade de combater as facções.

"Temos evidência das ações desses grupos em pelo menos 12 estados nos Estados Unidos. Queremos que o governo brasileiro tome com seriedade esse problema, essa responsabilidade de acabar com estes dois grupos", afirmou. “Esses dois grupos [PCC e CV] estão causando muita violência, um impacto bastante perigoso, não só no Brasil, mas aqui nos Estados Unidos”, completou.

Amanda não quis comentar se os EUA avisaram com antecedência o Brasil que novas sanções seriam adotadas. Fontes da diplomacia brasileira têm criticado a ausência de comunicações formais dos americanos sobre medidas adotadas contra o Brasil e alegam que em muitos casos tomam conhecimento das ações pela imprensa.

Ao ser questionada sobre a ausência brasileira no Escudo das Américas - grupo criado em março pelos EUA para combater o narcotráfico em parceria com países da América Latina - Amanda apenas disse que a iniciativa é uma das ferramentas utilizadas pelos Estados Unidos para promover a segurança no hemisfério.

"O que sabemos é que queremos continuar colaborando com o Brasil, avançando a meta que compartilhamos, que é acabar com estes grupos que há muito tempo estão controlando economias, comunidades, causando bastante violência e temos essa meta em comum", respondeu a porta-voz.

Questionada se o Brasil foi convidado a integrar a iniciativa ou a participar da reunião realizada durante a Assembleia Geral da ONU, ela não respondeu. Amanda afirmou, porém, que os EUA estão trabalhando com o Brasil por meio de relações bilaterais, ainda que o país não integre o grupo.

“Os membros do Escudo da América são os países que já estão adotando uma linha de trabalho com os Estados Unidos, mas também estamos coordenando, trabalhando com o Brasil”, disse. “Estamos trabalhando através do Escudo, mas também com outras relações bilaterais, que é o caso do Brasil.”

A CNN também questionou a porta-voz sobre a negativa de vistos a autoridades brasileiras que teriam sido designados para trabalhar no combate a crimes transnacionais com agências federais americanas. Fontes do governo brasileiro dizem que esse seria um indício de que o interesse do governo americano não é combater o crime, mas sim aumentar a ingerência sobre o Brasil.

“Não comentamos sobre casos específicos de vistos”, respondeu Amanda. Ela reiterou que os dois países têm uma relação ampla e diferentes maneiras de avançar em objetivos compartilhados.

Ao responder às críticas do governo brasileiro de que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas teria como objetivo ampliar a ingerência americana sobre o Brasil, a porta-voz afirmou que a prioridade de Washington é proteger os Estados Unidos.

“As decisões que tomamos, designando o PCC e o CV e os outros 22 grupos que designamos só neste hemisfério, são decisões que tomamos para proteger os Estados Unidos, que é o ponto mais importante”, afirmou.