Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Abstenção nos EUA sobe e fica em 71,55% em meio a temor sobre o ICE

Taxa subiu mais de 8 pontos percentuais em relação a 2022; receio de brasileiros em situação irregular pode ter contribuído para o aumento, dizem fontes

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A abstenção dos eleitores brasileiros nos Estados Unidos chegou a 71,55% no primeiro turno das eleições deste domingo (4), acima dos 63,36% registrados no primeiro turno de 2022, segundo levantamento da CNN Brasil com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O aumento de 8,19 pontos percentuais acontece em meio ao receio dos brasileiros em situação migratória irregular de encontrar agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, durante a votação.

Com 100% das seções apuradas nas 11 jurisdições dos EUA (Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Los Angeles, Miami, Nova York, Orlando, São Francisco e Washington), um total de 189.633 dentre os 265.022 eleitores cadastrados não compareceram às urnas. Ao todo, 75.389 pessoas votaram no país.

Em Nova York, por exemplo, a abstenção subiu de 59,49% em 2022 para 73,98% neste ano, um aumento de 14,49 pontos percentuais. Dos 38.953 eleitores cadastrados, 10.134 votaram e 28.819 não compareceram.

A maior taxa de abstenção nos Estados Unidos foi registrada em Hartford, no estado de Connecticut, com um percentual de 78,75%. Na sequência aparecem Chicago, com 77,68%, e São Francisco, com 74,85%. Em números absolutos, Boston teve o maior total de ausentes, com 36.968.

LocalidadeEleitores aptosComparecimentoAbstenção (%)
Hartford9.1811.95178,75%
Chicago12.4522.77977,68%
São Francisco15.4923.89674,85%
Los Angeles18.2624.60974,76%
Nova York38.95310.13473,98%
Washington18.1464.83673,35%
Houston16.4384.50072,62%
Miami40.05312.27869,35%
Boston53.35816.39069,28%
Atlanta16.3015.02269,19%
Orlando26.3868.99465,91%
Total EUA265.02275.38971,55%

Antes do encerramento da votação, o embaixador Adalnio Ganem, cônsul-geral de Nova York, já havia antecipado à CNN Brasil que o temor de brasileiros em situação irregular poderia levar a uma abstenção maior.

“Creio que há uma certa preocupação da população brasileira com segurança, sobretudo os não documentados, então pode ser que haja uma quebra maior, uma abstenção maior”, afirmou Ganem.

Fiscais do PL e do PT também afirmaram que muitos eleitores, de ambos os partidos, não compareceram às urnas nos Estados Unidos neste domingo por temor das autoridades migratórias.

Associações de brasileiros procuraram consulados em todo o país antes das eleições para manifestar o temor da comunidade e questionar autoridades sobre possíveis ações do ICE nos locais de votação, segundo fontes do governo.

Fabiana Alves, empresária e moradora de Mount Vernon, Nova York, afirmou que muitos amigos brasileiros deixaram de ir votar por temer os agentes do ICE. “Eu acho que pelo menos 50% dos brasileiros que eu conheço não vieram por causa do ICE. Eu tenho uma consultoria que presta assessoria a imigrantes e estava em um evento nesta semana, a Expo Brasil, em Port Chester, que estava vazio em relação a anos anteriores, justamente por causa desse temor”, relatou.

No caso de Nova York, a distância até o local de votação também foi apontada como um obstáculo por Fabiana e outros brasileiros. Neste ano, a votação na cidade foi transferida de Manhattan para um campus universitário no Queens.

“Eu sou de Nova Jersey e conheço muitos brasileiros em situação legal que não vieram por causa da distância. Amigos de Jersey City demoram duas horas e meia, e de Newark e Elizabeth, três horas e meia ou mais de transporte público para chegar. Para mim, esse é o principal motivo para o aumento da abstenção”, afirmou Edileuza Giacomini, fiscal do PL.

Edileuza citou que aplicativos de motoristas também não eram uma opção para muitos eleitores porque uma corrida de Jersey City - cidade com grande comunidade de brasileiros e que faz parte da jurisdição de Nova York - para o Queens College chegava a custar cerca de US$ 300 ida e volta.