Acordo com UE desperta interesse do Canadá, Japão e Reino Unido no Mercosul
Fontes afirmam que o acordo Mercosul-UE aumenta a atratividade do bloco e novas negociações são previstas com membros do G7 e países árabes e asiáticos

Fontes do governo afirmam que outros países estão buscando negociar com o Mercosul, após a finalização do acordo com a União Europeia, entre eles o Canadá, o Reino Unido e o Japão, que fazem parte do G7. Países da Ásia, como Vietnã e Indonésia, e os Emirados Árabes Unidos também teriam demonstrado interesse renovado em avançar com negociações.
Interlocutores afirmam que o acordo acelera um processo de diversificação de mercado que já vinha ocorrendo e acrescentam que 2026 será um ano de muito trabalho.
De acordo com fontes que acompanham de perto as discussões, as conversas já acontecem no nível ministerial, entre ministros de Relações Exteriores, de Comércio e também no nível técnico, com negociadores comerciais e diplomatas.
Além do acordo com a União Europeia, o Mercosul firmou parcerias com o EFTA - que reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein - em 2025, e com Singapura, em 2023. Fontes afirmam que esses acordos anteriores também reforçam a atratividade do bloco no palco global.
A consolidação da parceria com a União Europeia também é resultado de um movimento de reformulação de parcerias comerciais, com blocos e países buscando mercados alternativos, diante das políticas protecionistas adotas pelos Estados Unidos.
"No momento em que a União Europeia, o maior bloco comercial do mundo, que possui uma enorme credibilidade, decide formalizar essa parceria com o Mercosul, isso abre os olhos do mundo. Se os europeus estão confiando no Mercosul, quer dizer que o Mercosul tem de fato algo de bom para oferecer", avalia Igor Alves, professor de relações internacionais da FAAP.
Janela de oportunidade
Fontes do governo relatam que integrantes da Comissão Europeia cancelaram o período de recesso do início do ano para costurar internamente o acordo porque sabiam que havia uma janela de oportunidade e "era agora ou nunca".
Segundo esses interlocutores, o ultimato do presidente Lula, às vésperas da cúpula de Foz do Iguaçu em dezembro, causou apreensão em Bruxelas.
Os países favoráveis enxergavam que, após 25 anos de negociação, a finalização do acordo agora era uma chance única ou os protecionistas venceriam a batalha usando pretextos para protelar a assinatura.



