Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Bachelet, apoiada pelo Brasil, perde apoio em consulta para liderar ONU

Guianense Carolyn Rodrigues-Birkett aparece na liderança da disputa, enquanto Bachelet cai de seis para dois votos de apoio

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Michelle Bachelet, candidata apoiada pelo Brasil para suceder o secretário-geral da ONU, António Guterres, teve a maior queda no numero de votos de apoio entre os participantes da segunda consulta informal do Conselho de Segurança da ONU, realizada nesta sexta-feira (21).

Na primeira pesquisa, realizada no dia 30 de julho, a ex-presidente do Chile obteve seis votos de apoio (encouraged), cinco de rejeição (discouraged) e quatro sem opinião (no opinion). Na nova consulta, ela aparece com dois votos de apoio, seis de rejeição e sete sem opinião.

Bachelet foi indicada por Brasil, México e Chile de forma conjunta em fevereiro de 2026. Depois, com a mudança de governo no Chile, o governo de direita de José Antonio Kast retirou o apoio chileno, mas Brasil e México mantiveram a candidatura. Lula inclusive reafirmou esse apoio recentemente.

As consultas informais fazem parte do processo de seleção e servem de parâmetro para que os diplomatas avaliem quais candidatos reúnem apoio suficiente para avançar na disputa.

A segunda pesquisa informal mostrou a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett como favorita, com oito votos de apoio, três de rejeição e quatro sem opinião. Birkett é da Guiana e hoje é a representante permanente do país na ONU. Antes disso, foi ministra das Relações Exteriores da Guiana, de 2008 a 2015, e ministra de Assuntos Ameríndios. Ela tem origem indígena e foi indicada oficialmente pela Guiana em junho.

Em segundo lugar aparece a costarriquenha Rebeca Grynspan. Ela era a favorita na primeira pesquisa, mas passou passou de dez votos de apoio e um de rejeição, para sete de apoio e quatro de rejeição na segunda rodada.

Grynspan é economista e ex-vice-presidente da Costa Rica e uma figura conhecida no sistema ONU. Desde 2021, é secretária-geral da UNCTAD, o braço da ONU para comércio e desenvolvimento, tendo sido a primeira mulher a comandar o órgão.

Rafael Grossi, em terceiro lugar, manteve os mesmos sete votos de apoio, mas a oposição subiu de duas rejeições para seis. Os “no opinion” caíram de seis para dois. Grossi atualmente ocupa o cargo de diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA),

É importante ressaltar que ainda há um longo processo até que fique mais claro quem será de fato o novo líder da ONU. Nas primeiras consultas informais, as cédulas são idênticas e não permitem identificar quais votos vieram dos cinco membros permanentes do Conselho (P5): China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Como os P5 têm poder de veto, sa oposição de qualquer um deles pode impedir que um candidato seja recomendado pelo Conselho de Segurança.

Apenas quando os votos dos membros permanentes forem revelados separadamente, mais adiante no processo, deve ficar mais claro quais candidatos enfrentam a possibilidade de veto e quem tem chances de avançar na disputa.

A gestão de Guterres se encerra em 31 de dezembro, após dois mandatos de cinco anos como secretário-geral da organização. Seu sucessor terá o desafio de reforçar o papel da ONU em meio à crise do multilateralismo e deve enfrentar pressões por reformas na organização. A ONU tem sido alvo de críticas por ter uma estrutura considerada inchada por alguns, sobretudo diante dos cortes de recursos dos Estados Unidos.