Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Elogio de Trump a Lula deve pesar no cálculo sobre Conselho de Paz de Gaza

Fontes afirmam que a fala do presidente americano pesará para a resposta do Brasil, que será decidida "com calma"

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A declaração de Donald Trump desta terça-feira (20), dizendo que espera que o presidente Lula tenha "um papel importante" no Conselho de Paz de Gaza, deve entrar no cálculo do governo brasileiro sobre uma resposta ao convite para integrar o grupo, segundo fontes.

Um interlocutor com conhecimento das discussões afirmou que o cálculo se baseia nos "muitos elementos da equação" e a declaração de Trump "é um elemento mais".

O Conselho de Paz, anunciado pelos Estados Unidos na semana passada, tem o objetivo de coordenar a desmilitarização e a reconstrução do enclave palestino. O convite para Lula integrar o comitê foi recebido pelo mais alto nível da Embaixada do Brasil em Washington na tarde de sexta-feira (16) e encaminhada ao Itamaraty.

Em balanço sobre o primeiro ano de sua gestão na tarde desta terça, Trump foi questionado por uma jornalista brasileira sobre qual papel esperava que Lula desempenhasse no Conselho e respondeu: "Um papel importante. Eu gosto dele. Sim, eu gosto dele."

Interlocutores afirmaram que o governo brasileiro faz no momento "uma análise cuidadosa, ainda em curso" e que ainda não há previsão de quando Lula dará uma resposta. "Decidiremos com calma", disse uma das fontes, que acrescentou que este "é mais um assunto complexo para a coleção".

Entre os pontos que o governo pesa para dizer se aceitará o convite ou não está a composição do Conselho. Há uma preocupação sobre a ausência de representação dos palestinos e a falta de consulta aos israelenses.

A avaliação feita é de que é um assunto delicado, que envolve diversos atores, e é preciso ponderar com cuidado as consequências de uma eventual participação brasileira.

No comunicado sobre a formação do Conselho de Paz, divulgado na sexta, a Casa Branca afirmou que membros adicionais do comitê “seriam anunciados nas próximas semanas”. Pelo menos 60 países já foram convidados, entre eles Argentina, Brasil, Canadá, França, Egito, Paraguai e Turquia.

O conselho não tem nenhum representante da Autoridade Palestina, rival do Hamas, que administra partes da Cisjordânia ocupada e que deverá assumir o controle de Gaza após as reformas.

E o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a composição do conselho não foi coordenada com Israel e contradiz sua política, possivelmente em reação ao envolvimento da Turquia.

O âncora Gustavo Uribe apurou que Lula pretende discutir ainda nesta semana com o líder francês, Emmanuel Macron, a adesão ao grupo. E há expectativas de que o assunto seja tratado também com países como Canadá, México, a Alemanha e Inglaterra.

Fontes diplomáticas afirmaram que por se tratar de uma questão global, é natural que o Brasil converse com diversos países.