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    Priscila Yazbek

    Priscila Yazbek

    Correspondente em Paris, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

    À CNN, Macron diz que Brasil tem presidente progressista ao comentar aborto

    Presidente francês respondeu a pergunta em evento em Paris que oficializou a inclusão do aborto na Constituição francesa no Dia da Mulher

    À CNN, Macron diz que Brasil tem presidente progressista ao comentar aborto
    À CNN, Macron diz que Brasil tem presidente progressista ao comentar aborto

    Em entrevista à CNN, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o Brasil tem um “presidente progressista” ao ser questionado sobre a mensagem que seu país passa ao Brasil e a outras nações em que o aborto é majoritariamente rejeitado pela população.

    Nesta sexta-feira (8), Dia Internacional dos Direitos da Mulher, Macron promoveu uma cerimônia para selar na Constituição a lei aprovada pelo Congresso francês na segunda-feira (4), que prevê a inclusão da “liberdade garantida” ao aborto na Carta Magna. O evento foi realizado na Place Vendôme, em Paris.

    Ao final da cerimônia, a CNN perguntou a Macron qual mensagem a França transmite a países conservadores em relação à questão do aborto, como o Brasil. “Eu não diria hoje que você tem um presidente conservador, você tem um presidente progressista”, respondeu Macron, se referindo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    “Mas cada povo tem seu caminho, e eu tenho muito respeito pela soberania de cada povo”, afirmou.

    O presidente francês prosseguiu dizendo que a reforma aprovada na França reconhece a liberdade da mulher de dispor do seu corpo.

    “Penso que a luta humanista é uma luta pela igualdade, pela dignidade humana e pelo reconhecimento da liberdade das mulheres de disporem de si mesmas, do direito das mulheres de disporem dos seus corpos e, em particular, da interrupção voluntária da gravidez. É uma lei do progresso”, disse à CNN

    Pesquisas mostram que mais de 80% dos franceses são favoráveis à inclusão do aborto na Constituição. Enquanto no Brasil, o aborto é aprovado por 39% da população, segundo levantamento da Ipsos de 2023.

    O presidente francês disse ainda que a mensagem transmitida pela França com a nova lei é universal. “É uma mensagem que a França envia universalmente, porque penso que é uma espécie de mensagem sobre dignidade humana”, afirmou.

    Defesa do aborto na União Europeia

    No discurso durante o evento de oficialização da constitucionalização do aborto, Macron afirmou que vai defender a inclusão do direito à interrupção voluntária da gravidez na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.

    O presidente francês afirmou que vai lutar para que o direito se torne “universal e efetivo” e disse que “o progresso dos direitos das mulheres é o progresso dos direitos humanos”.

    “Os retrocessos do nosso tempo fizeram da inclusão aborto na Constituição uma necessidade e uma urgência”, disse Macron. “Em todo o mundo, inclusive nas maiores democracias, estamos testemunhando o declínio do direito ao aborto. Como o impensável acontece, tivemos que gravar o irreversível”, completou o presidente francês.

    O aborto na França é permitido desde 1975, mas o gatilho para incluir o acesso à interrupção da gravidez na Constituição veio após a revogação do direito ao aborto em nível federal nos Estados Unidos, em 2022.

    Partidos de esquerda e movimentos feministas se mobilizaram para cristalizar o acesso ao aborto na Carta Magna francesa temendo que o avanço de partidos de extrema-direita na França levasse eventuais revisões do direito.

    Diante do forte apoio da população, Macron viu uma oportunidade de aumentar sua popularidade ao defender o projeto. Após impasses no Senado francês sobre o projeto proposto por partidos de esquerda, o governo enviou um projeto de sua autoria ao Parlamento, que se tornou o texto final aprovado na última segunda-feira.