Priscila Yazbek
Blog
Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Na ONU, Brasil condena conflito no Irã e destaca ataque a escola feminina

Embaixador brasileiro também criticou ataques de Israel ao Líbano e o bloqueio do Estreito de Ormuz

Compartilhar matéria

O Brasil condenou, mais uma vez, os ataques feitos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã e a retaliação do regime iraniano em um discurso nesta quinta-feira (16) na ONU e destacou que o ataque à escola feminina de Minab "merece a mais forte condenação".

"A escalada militar apenas aprofunda o sofrimento humano e mina a estabilidade regional. O ataque a uma escola feminina na cidade iraniana de Minab, que tirou a vida de mais de 150 crianças inocentes, merece a mais forte condenação", disse o representante permanente do Brasil na ONU, Sérgio Danese.

O ataque, que aconteceu no dia 28 de fevereiro, matou pelo menos 168 crianças e 14 professores, segundo a mídia estatal iraniana.

A CNN teve acesso a uma investigação militar que concluiu que os EUA foram os responsáveis pelo disparo do míssil que atingiu a escola, indicando ainda que isso aconteceu por engano, por causa de informações desatualizadas sobre uma base naval próxima ao local.

O discurso do embaixador brasileiro aconteceu durante a Sessão Plenária da Assembleia Geral da ONU sobre o veto a uma resolução sobre o bloqueio do Estreito de Ormuz.

No dia 7 de abril, a China e a Rússia vetaram a proposta feita pelo Bahrein e apoiada pelos EUA, no Conselho de Segurança, para reabrir o Estreito de Ormuz. Sempre que um veto ocorre, uma sessão plenária sobre a resolução barrada é convocada em até 10 dias úteis.

"O Brasil condena os ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã e os subsequentes ataques injustificados por parte do Irã, e apela a todas as partes que retomem as negociações, com o objetivo de alcançar uma solução duradoura para o conflito", disse o embaixador durante a sessão.

Danese afirmou que, desde o início dos conflitos na região, "2.100 pessoas perderam a vida no Líbano, 3.400 no Irã, 1.800 em Israel e impressionantes 72 mil mortes" foram confirmadas em Gaza.

Na declaração, o representante brasileiro defendeu que as partes respeitem o Direito Internacional, afirmou que os ataques prejudicam a busca por uma solução diplomática e condenou todas as ações militares que resultaram em vítimas civis, danos à infraestrutura civil e violações da soberania e da integridade territorial dos Estados.

"Tais ações são inaceitáveis e devem cessar imediatamente", destacou.

Bloqueio do Estreito de Ormuz

O bloqueio do Estreito de Ormuz também foi alvo de críticas do embaixador, que afirmou que o impedimento da livre passagem viola convenções internacionais.

O Irã tem dificultado a passagem de embarcações pela hidrovia para pressionar os preços do petróleo e, consequentemente, levar os Estados Unidos a encerrar o conflito.

Mas, no início desta semana, Washington também anunciou um bloqueio naval ao estreito para impedir que navios cheguem aos portos iranianos como forma de estrangular a economia de Teerã.

"Expressamos preocupação com os obstáculos à passagem inocente pelo Estreito de Ormuz e recordamos a importância de respeitar o direito de trânsito em estreitos, em conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar", afirmou Sérgio Danese.

Ataques no Líbano

Os ataques de Israel ao Líbano também foram citados como um motivo de profunda preocupação.

"Exortamos Israel a interromper imediatamente suas ações militares e a retirar todas as suas forças do território libanês", afirmou Danese.

O Brasil também condenou os ataques contra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano, lembrando que ataques contra missões de paz da ONU representam graves violações do Direito Internacional e do Direito Internacional Humanitário.

Danese apelou ainda para que a ONU e o Conselho de Segurança desempenhem um papel central na manutenção da paz e da segurança internacionais.

"Devemos agir juntos para alcançar uma solução negociada para a crise e preservar os princípios e propósitos da Carta da ONU e do Direito Internacional", pontuou.

O embaixador também manifestou apoio aos esforços de países como Paquistão, Arábia Saudita, Egito e Turquia, em busca do diálogo e de soluções diplomáticas.