Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Truculência inédita dos EUA exige resposta à altura do Brasil, diz fonte

Funcionário do Itamaraty rechaça críticas sobre politização da diplomacia e diz que reação à revogação de visto de embaixadora deve ser proporcional

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Em resposta às críticas feitas à CNN Brasil por alguns diplomatas do governo, que enxergam politização da política externa diante da crise EUA-Brasil, uma fonte do Itamaraty afirmou que, se a defesa diante dos ataques dos Estados Unidos não tem precedentes, é porque “a truculência dos ataques, das ameaças e da agressão à democracia e à soberania também não têm precedentes”.

O integrante do Ministério das Relações Exteriores, que acompanha as discussões de perto, negou que haja politização interna. A fonte relatou à CNN que isso não é politização, mas sim defesa do interesse nacional em tempos de conflito, no qual a administração Trump decidiu alinhar-se com o que classificou como golpistas.

Ele diz ainda que a linha do tempo das medidas adotadas pelos Estados Unidos em relação ao Brasil desde julho de 2025, quando foi anunciado o tarifaço, deixa clara a falta de disposição do governo de Donald Trump para o diálogo.

A fonte ouvida pela CNN diz ter tentado a via da negociação há mais de um ano e, nos últimos meses, ficou claro que o outro lado não quer negociar, mas prefere atacar o Brasil na tentativa de impor sua vontade na eleição presidencial.

O diplomata procurou a CNN Brasil para rebater as críticas feitas por outros integrantes do Itamaraty, que avaliam que as respostas do governo brasileiro extrapolaram o campo da diplomacia e entraram no terreno político.

Eles argumentam que a negativa de vistos a autoridades americanas, por exemplo, foi uma reação exagerada e contribuiu para escalar a crise entre os dois países. E também consideram que as respostas do Itamaraty e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evocando a defesa da soberania nacional, assumiram um tom eleitoral que foge da tradicional postura adotada pela diplomacia brasileira.

Ao defender a posição do governo, o diplomata afirmou que a ingerência atual dos Estados Unidos não tem precedentes, por isso a resposta tem que ser proporcional e rápida, segundo ele. O diplomata acrescendo que isso não é politização, é profissionalismo e saber ler a realidade. Relatou também que não adianta pensar em respostas convencionais para desafios sem precedentes.

Na avaliação do diplomata, diversas autoridades brasileiras continuam sem visto por ter cumprido sua função, julgar e condenar os golpistas. O diplomada afirmou também que não tem precedentes, nem mesmo para o padrão do que chamou de "intervencionismo deles".

A fonte faz referência a vistos de ministros e autoridades brasileiras cassados pelo governo Trump. Em julho de 2025, os Estados Unidos anunciaram a revogação do visto do ministro Alexandre de Moraes e de outros sete integrantes do Supremo Tribunal Federal (Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso) em retaliação ao que classificou como uma “caça às bruxas política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

No mês seguinte, em agosto de 2025, o governo Trump estendeu a medida ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de integrantes de sua família. Como o visto de Padilha já estava vencido, a decisão não teve efeito prático sobre ele naquele momento, mas atingiu sua mulher e sua filha. Funcionários e ex-funcionários do governo brasileiro, ex-integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e familiares também foram afetados.

E em abril deste ano, o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos pediu que o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo deixasse o território americano. O delegado atuava em Miami, na investigação da "Abin Paralela" e de planos de golpe, e foi responsável pela prisão de Alexandre Ramagem no país, aliado da família Bolsonaro.

O ex-deputado foi solto dois dias depois, mas a atuação de Ivo incomodou as autoridades americanas. Em resposta, o governo brasileiro usou o princípio da reciprocidade e expulsou do Brasil um oficial de imigração dos EUA (do órgão Homeland Security), cassando suas credenciais de trabalho.