Análise: A precificação da tarifa no mercado brasileiro
O dólar iniciou com alta de quase 1,5%, atingindo R$ 5,62, mas recuou e fechou com valorização de 0,78%.
O mercado financeiro brasileiro reagiu com volatilidade ao anúncio de Donald Trump sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre o aço e o alumínio brasileiros.
Na abertura, o índice Bovespa chegou a cair quase 1%, mas encerrou o dia com recuo de 0,5%. O dólar, por sua vez, iniciou com alta de quase 1,5%, atingindo R$ 5,62, mas recuou e fechou com valorização de 0,78%.
O dólar futuro, que havia disparado no dia anterior, apresentou queda de 0,88% durante todo o pregão, sinalizando que o mercado começou a encontrar um novo patamar de precificação para a medida.
O Brasil optou pela via diplomática para lidar com a situação. A estratégia adotada é baseada no caminho do Itamaraty, apostando no diálogo e em acordos pontuais com empresários e empresas dos Estados Unidos para tentar reverter as tarifas genéricas de 50%. A intenção é evitar retaliações na mesma proporção, o que poderia gerar prejuízos diretos às empresas e à indústria nacional.
Ainda há tempo até 1º de agosto para que os esforços diplomáticos avancem. No entanto, existe o risco de que os Estados Unidos iniciem investigações adicionais com base na “Seção 301” do Ato de Comércio de 1974, o que poderia resultar em sanções ainda mais severas.
Caso a tarifa de 50% entre em vigor a partir de agosto, alguns cenários são considerados prováveis:
- Um aumento nas importações de produtos brasileiros pelos EUA antes da data limite, podendo gerar um superávit maior na balança comercial brasileira.
- Valorização do dólar em relação ao real, pressionando a inflação no Brasil.
- A necessidade de manter os juros elevados por mais tempo ou, eventualmente, a adoção de uma nova elevação da taxa Selic.
- Um impacto no PIB brasileiro, estimado entre 0,3% e 0,5%, o que pode reduzir a projeção de crescimento de 2,1% - 2,2% para níveis inferiores.
A situação evidencia a necessidade de separar decisões políticas de temas econômicos, uma vez que o cruzamento entre ambas têm gerado incertezas nas relações comerciais com os Estados Unidos. O mercado agora aguarda os próximos movimentos da diplomacia brasileira e o desfecho das negociações até o prazo estabelecido.



