Análise: Fiscal e política seguem precificando o mercado
Mistura entre economia e política continua sendo o principal fator de pressão sobre os ativos brasileiros
O mercado financeiro brasileiro segue em terreno negativo nesta quarta-feira (17), com o Ibovespa fechando em queda, em um pregão marcado pelo vencimento de opções sobre o índice. O dólar, que inicialmente recuava, encerrou a sessão em alta.
De acordo com Rita Mundim, comentarista de economia da CNN Brasil, a mistura entre economia e política continua sendo o principal fator de pressão sobre os ativos brasileiros.
Na véspera, o Banco Central destacou a necessidade de harmonia entre as políticas fiscal e monetária. O documento ressaltou que a política fiscal no curto prazo afeta a demanda agregada e que ambas as políticas não podem se contradizer.
"O governo gasta e o Banco Central coloca o juro lá em cima para conter consumo. Então, o governo estimula o aumento da demanda agregada, enquanto o Banco Central tenta conter essa demanda", explicou Mundim.
"O Banco Central, na ata, deixa bem claro que a política fiscal está numa direção e a política monetária está na outra", afirmou.
Declarações recentes do governo também contribuíram para a apreensão do mercado. Em reunião ministerial, foram feitas afirmações sobre a distribuição de benefícios sociais, com a menção de que um quarto da população brasileira já recebe algum tipo de benefício.
Desafios orçamentários
O governo ainda enfrenta o desafio de equilibrar o orçamento para o próximo ano. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou que seriam necessários cerca de R$ 20 bilhões para esse equilíbrio.
Na madrugada desta quarta-feira (17) foi aprovado o texto básico do projeto que prevê um corte linear de 10% nas isenções fiscais existentes. Também houve aumento da tributação sobre as bets.
"Na verdade, é para garantir que as emendas sejam pagas e não que políticas públicas sejam executadas. É a qualidade do gasto. Não aguentamos mais tanto aumento de imposto e tanto gasto mal feito, porque não é um gasto que vai gerar produtividade", criticou Mundim.
O mercado segue atento à tramitação da LOA (Lei do Orçamento Anual), que deve ser trabalhada pelo governo nos próximos dias junto ao Congresso Nacional, definindo os parâmetros orçamentários para o próximo período.



