Análise: Preço do petróleo só melhorará com liberação do Estreito de Ormuz
Rita Mundim cita impactos da instabilidade global na política monetária brasileira
O preço do petróleo disparou nas últimas semanas, atingindo aproximadamente US$ 119 por barril nas últimas horas, após os recentes conflitos envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O aumento de 35% na última semana de conflito já levou o G7 a discutir a possibilidade de usar suas reservas estratégicas para amenizar a crise.
De acordo com Rita Mundim, colunista do CNN Money, a escalada do preço do barril só será revertida quando houver uma ação prática para garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
"Essa escalada do preço do barril só vai melhorar quando houver uma ação prática para liberar o Estreito de Ormuz, quando a gente notar que existe segurança para a trafegabilidade", explicou.
A situação é particularmente grave para os países asiáticos, destino de aproximadamente 70% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz. "Essa madrugada a Bolsa da Coreia despencou, então as bolsas asiáticas estão sofrendo mais com essa possibilidade de desabastecimento", destacou Mundim.
O Brasil, mesmo sendo produtor de petróleo do pré-sal, também enfrenta riscos significativos, já que exporta o petróleo bruto e importa gasolina e óleo diesel refinados.
Inflação e política monetária em risco
Rita ainda alerta que o aumento do preço do petróleo acende um alerta sobre a possibilidade de uma inflação global, o que pode reverter toda a política monetária que vinha sendo implementada pelos bancos centrais ao redor do mundo. A expectativa de cortes nas taxas de juros pode dar lugar a uma retomada de alta.
No caso brasileiro, a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) está marcada, mas o cenário já mudou significativamente. "Acho que o nível de incertezas escalou demais e está realmente comprometendo a política monetária de todos os bancos centrais", avaliou Mundim.
Além do impacto direto no preço dos combustíveis, a crise afeta toda a cadeia logística global, com aumento no custo de fretes marítimos e aéreos.
"Imagina como é que você vai fazer negócio e você não sabe se vai ter frete, se o navio vai poder passar ou não, por onde que o navio vai passar e o custo desse frete", questionou Mundim, lembrando que o frete está embutido no preço de todos os produtos.



