Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Análise: Reajuste do MEI aumenta pressão no fiscal

Proposta eleva teto do MEI a R$ 140 mil e gera renúncia fiscal de R$ 8,1 bi; Rita Mundim alerta para impactos no mercado de trabalho

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O projeto de lei complementar que propõe a atualização do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) acende um alerta sobre as finanças públicas brasileiras. O governo estima uma renúncia fiscal de R$ 8,1 bilhões nos próximos três anos caso a proposta seja aprovada, ampliando a pressão sobre a já combalida política fiscal do país.

Ao CNN Money, a comentarista de Economia Rita Mundim avaliou que a medida representa mais uma pressão significativa sobre o fiscal. "Aí está mais uma pressão grande sobre o fiscal", afirmou. Para ela, o Brasil tem adotado uma postura de oferecer benefícios sem a devida preocupação com os custos para a máquina pública, especialmente em ano eleitoral.

Teto escalonado e impacto na Previdência

A proposta prevê um reajuste escalonado do limite de faturamento do MEI: o teto subiria dos atuais R$ 81 mil para R$ 127 mil em um primeiro momento e chegaria a R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois funcionários.

Rita Mundim destacou o desequilíbrio previdenciário embutido nessa estrutura. Segundo estudos do IPEA mencionados por ela, para custear a Previdência, cada trabalhador precisaria contribuir com 37,5% da renda, enquanto o MEI recolhe apenas 5%.

Em comparação, o trabalhador do setor privado já inicia suas contribuições em 7,5% sobre um salário mínimo, com alíquota escalonada conforme o rendimento aumenta.

Risco de distorção do mercado de trabalho

Rita Mundim alertou ainda para um possível efeito colateral da ampliação do teto: a migração em massa de profissionais que hoje operam como Pessoa Jurídica (PJ) para o regime MEI, atraídos pelo benefício fiscal.

"Eu acho que nós vamos ver os PJs virarem MEI por causa do benefício fiscal. E aí o governo deixa de arrecadar, e muito", disse.

Na avaliação dela, engenheiros, advogados, arquitetos e outros profissionais liberais, incluindo recém-formados, poderiam passar a atuar como MEIs, desvirtuando a concepção original do modelo, que foi criado para formalizar trabalhadores informais como pintores e cabeleireiros.

Rita Mundim ressaltou que o número de MEIs já cresceu de forma expressiva ao longo dos anos — de cerca de 1 milhão em 2012 para quase 10 milhões atualmente —, e que a ampliação do teto deve acelerar ainda mais esse movimento.

Ela também relacionou a questão ao debate sobre o fim da escala 6x1, alertando que o conjunto dessas mudanças pode gerar "uma confusão no mercado de trabalho brasileiro".

Para a comentarista, arranjos sucessivos sobre o mercado de trabalho e a arrecadação fiscal têm sido feitos sem a devida atenção ao impacto de longo prazo na Previdência Social.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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