Análise: Trump cria cortina de fumaça ante possível shutdown nos EUA
Impasse entre democratas e republicanos sobre orçamento pode levar a paralisação do governo a partir desta quarta-feira (1°), o que afeta diversos serviços federais nos Estados Unidos
O governo dos Estados Unidos enfrenta a iminência de uma paralisação parcial — shutdown — devido a um impasse orçamentário entre democratas e republicanos no Congresso. A situação, que pode se concretizar a partir da meia-noite desta quarta-feira (1°), já causa apreensão nos mercados financeiros globais.
A analista de Economia da CNN, Rita Mundim, relembra que, se não houver acordo sobre o orçamento para o ano fiscal de 2026, diversos serviços públicos serão afetados. Autarquias e parques nacionais podem ser fechados, mantendo apenas serviços essenciais e de emergência em funcionamento.
Em meio à tensão política, ela ainda afirma que Donald Trump vai ficar em uma "saia muito justa" caso o shutdown se concretize. Nesse meio tempo, observa que o republicano tem feito declarações polêmicas, incluindo menções sobre anexar o Canadá e investir US$ 1 trilhão em defesa.
"O que vai acontecer [se o shutdown se concretizar]? Só aqueles [serviços] de emergência, de urgência, continuarão funcionando, e isso politicamente não é nada bom para o Trump. E é por isso que hoje ele amanheceu 'atirando', [...] para tentar criar uma cortina de fumaça", pontuou.
O último shutdown nos Estados Unidos resultou em prejuízos estimados em US$ 3 bilhões, mesmo tendo sido um período relativamente curto de paralisação, destaca Mundim.
Volatilidade
Mike Johnson, da Câmara dos Representantes, indica que o shutdown é provável, uma vez que as questões orçamentárias não devem ser resolvidas a tempo.
Como resultado, a analista destacou que os mercados demonstram instabilidade.
"É um problema político. Essa questão orçamentária não vai ser pacificada [...]. Com isso, os mercados todos 'com as barbas de molho', a gente vê hoje um dólar mais fraco em relação às principais moedas do mundo [...]", observou Mundim no quadro Insights do Mercado do CNN Money.



