Cessar-fogo: reprecificação de ativos envolve três cenários, diz Mundim
Bolsas de valores no Brasil, Estados Unidos e Europa registraram altas significativas enquanto investidores tentam calibrar o risco geopolítico diante das novas informações
O mercado financeiro global reagiu com otimismo nesta quarta-feira (8) às declarações de Donald Trump sobre o cessar-fogo e alívio de sanções envolvendo o Irã.
De acordo com Rita Mundim, comentarista do CNN Money, há três cenários possíveis para o desdobramento da situação.
Cenário otimista: acordo de paz
No melhor cenário, o cessar-fogo se transformaria em um acordo de paz definitivo. Nesse caso, segundo Mundim, seria necessário avaliar "por quanto tempo o petróleo vai ficar mais pressionado em função do que aconteceu".
Ela ressalta que ainda não se conhece "a magnitude da destruição e a capacidade de recuperação de produção de petróleo dos países do Oriente Médio".
Bancos de investimento já estão fazendo projeções para este cenário, estimando o preço do petróleo entre US$ 85 e US$ 90 dólares até o final do ano. No Brasil, esse cenário poderia permitir um corte de meio ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
Cenário intermediário: acordo demorado
No segundo cenário, o acordo de paz demoraria para ser concretizado e surgiriam ruídos durante as negociações.
"Trump quer fazer um acordo com o país, mas ele quer mandar no país. Então, fica difícil que esse acordo seja feito de uma forma rápida e tranquila", afirma.
Nesse caso, a demora para a normalização seria maior e os ruídos seriam precificados pelo mercado, resultando em maior volatilidade. Para o Brasil, a calibragem do corte da Selic tenderia a ser mais lenta.
Pior cenário: retomada do conflito
O terceiro e pior cenário seria a interrupção do cessar-fogo e a retomada dos bombardeios. Mundim aponta que Israel, parceiro de Trump, pode ser "uma dor de cabeça na costura desse acordo", já que o Irã exige o fim dos ataques contra o Hezbollah e outros grupos.
"Nós podemos sim sair de um cessar-fogo para uma retomada dos bombardeios, que é o pior cenário. E aí, de novo, não teríamos como precificar até onde o preço do barril de petróleo pode chegar", afirma.
A comentarista destacou que a fragilidade da situação está no "extremismo, tanto no comportamento de Trump quanto no comportamento do Irã". Ela lembrou que ambos os lados já demonstraram posições inflexíveis, com cada um declarando vitória no conflito.
"Quando você vai nesses extremos, fica tudo mais difícil", diz.



