Mundim: Mercado sofre com "festa junina" de Trump
Medidas dos EUA sobre tarifas e aumento de taxas contra a China geram instabilidade nos mercados
A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de dar uma pausa nas tarifas comerciais recíprocas, limitando-as a 10%, enquanto simultaneamente aumenta as tarifas sobre a China em 125%, causaram uma montanha-russa nos mercados financeiros globais.
A imprevisibilidade faz as ações de Trump lembrarem até uma "festa junina global em abril", no qual o governo americano anuncia "olha a cobra" e depois diz "é mentira". Curiosamente, 2025 é o ano da serpente no horóscopo chinês.
Essa situação de incertezas e de volatilidades não interessa a ninguém. A trégua de 90 dias nas tarifas é um alívio e provocou uma reação positiva imediata nos mercados. O índice Nasdaq, por exemplo, registrou sua maior alta intradiária desde 2001, subindo mais de 12%. No entanto, essa instabilidade não é benéfica a longo prazo.
Para o Brasil, a situação se complica. O país perdeu a vantagem comparativa que tinha anteriormente, já que agora todos os países estão sujeitos à mesma tarifa de 10% nos EUA. Antes disso, entre os 185 países taxados, 125 tinham essa tarifa de 10%, como o Brasil, e os outros tinham tarifas maiores.
Paralelamente às turbulências externas, o Brasil enfrenta desafios internos. Os dados de varejo de fevereiro mostraram um aumento de 0,5% em comparação com janeiro e de 1,5% em relação a fevereiro de 2024. Esse aquecimento às políticas de assistencialismo do governo, que injetam dinheiro na economia.
No entanto, essa situação cria um dilema: enquanto o Banco Central tenta controlar a inflação por meio de juros altos, o governo estimula o consumo com políticas expansionistas. É o Banco Central pisando no freio para desacelerar a economia e controlar a inflação que atinge a todos os brasileiros e especialmente os mais pobres que perdem poder aquisitivo.
Vale ressaltar a complexidade do cenário econômico atual, tanto global quanto nacional, e a necessidade de políticas econômicas consistentes e de longo prazo para enfrentar os desafios que se apresentam.



