Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Mercado está precificando duração da guerra acima do que se previa

Comentarista analisa impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e avalia lançamento do Tesouro Reserva

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O conflito no Oriente Médio continua pressionando as projeções de inflação no Brasil e no mundo.

Segundo Rita Mundim, comentarista de Economia do CNN Money, o mercado já precifica a duração da guerra muito acima do que se previa inicialmente, o que tem gerado deterioração contínua das expectativas econômicas.

Nona semana seguida de piora nas projeções

O Boletim Focus registrou, pela nona semana consecutiva, uma elevação nas projeções de inflação para 2026, que já alcançam 4,91%.

Há apenas um mês, a estimativa estava em 4,71%. Para Mundim, o principal fator por trás dessa deterioração é a continuidade do conflito, que estava previsto para durar apenas quatro semanas e já se estende por mais de dez.

"Cada vez que o conflito mostra uma certa resiliência em término, a gente vê as projeções piorando para a inflação em função da alta do preço do barril de petróleo", afirmou.

A comentarista destacou que o descrédito gerado pelas declarações contraditórias sobre negociações de paz é precificado de diversas formas pelo mercado: na queda do dólar frente às principais moedas, na saída de investimentos dos Estados Unidos em direção a mercados emergentes como o Brasil, nas expectativas de inflação dos bancos centrais ao redor do mundo e no temor de desabastecimento sinalizado pela AIE (Agência Internacional de Energia).

Choque de oferta e pressão sobre o petróleo

Mundim explicou que a situação configura um choque de oferta em agravamento. De um lado, há redução da produção de países do Oriente Médio que têm suas bases de produção e refino atacadas.

De outro, a capacidade do Irã de escoar petróleo está comprometida, com sua capacidade de armazenamento no limite e o Estreito de Ormuz fechado. "A situação está se deteriorando e é por isso que o mercado vai precificando essa piora", disse.

No mercado financeiro, os contratos negociados na B3 para 1º de janeiro de 2027 já precificam a Selic em 14,11%, enquanto o Boletim Focus manteve a projeção para a taxa em 13% pela terceira semana consecutiva.

Segundo Mundim, isso reflete uma esperança ainda presente de resolução do conflito, baseada nas declarações de Trump.

Tesouro Reserva e educação financeira

Também foi destaque a discussão sobre o lançamento do Tesouro Reserva, novo título do Tesouro Nacional que permite aplicações a partir de R$ 1,00, com liquidez imediata 24 horas por dia, sete dias por semana. Para Mundim, a iniciativa é positiva e pode contribuir para a educação financeira dos brasileiros.

"Essa ideia de investimento a partir de um real é a gente mudar a cultura do brasileiro de tentar economizar para o futuro, economizar para uma emergência, daí o nome Tesouro Reserva", afirmou.

A comentarista ressaltou que o título público oferece lastro mais sólido do que títulos privados e compete diretamente com as fintechs que já oferecem rendimento atrelado ao CDI.

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