Análise: Condução e punição no caso Master têm de ser exemplares
Rita Mundim comenta desdobramentos do caso que envolve o Banco Master e ressalta preocupação com a penetração do crime organizado no sistema financeiro brasileiro
A colunista do CNN Money, Rita Mundim, comentou nesta quarta-feira (4) os recentes desdobramentos do Caso Master, destacando a necessidade de uma condução exemplar das investigações e punições rigorosas para os envolvidos.
O caso ganhou novos capítulos com a prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal.
Segundo revelações do STF, o banqueiro tinha presença e influência dentro do Banco Central, inclusive sobre servidores e o diretor de fiscalização, responsável por controlar o cumprimento de regras no sistema financeiro brasileiro.
Para Rita Mundim, o caso revela a profunda penetração do crime organizado nas instituições do país.
"Se alguém tinha dúvidas que o crime organizado penetrou na sociedade brasileira, no tecido da sociedade brasileira, e que nós estamos assistindo o grau de penetração do crime organizado nas instituições, isso é que é o mais grave", afirmou.
Crime organizado no sistema financeiro
Mundim classificou o caso como uma forma de crime organizado que se financia por meio do mercado financeiro brasileiro, e não pelo tráfico de drogas, como tradicionalmente ocorre.
"Estamos tratando com uma milícia, com um crime organizado no mais alto grau. E um crime organizado se financiando através do mercado financeiro brasileiro, que tem órgãos de fiscalização, como o Banco Central, como a CVM", explicou.
Mundim destacou a gravidade da situação ao mencionar que mesmo após cumprir prisão domiciliar, Vorcaro continuou agindo com seu grupo. "A 'turma' do Vorcaro é um negócio de arrepiar, é de arrepiar até onde o crime organizado andou no Brasil", comentou, ressaltando as acusações de violência e intimidação, inclusive contra jornalistas.
Impacto nas instituições brasileiras
O caso, segundo a colunista, atinge diferentes esferas de poder no país. "Estamos falando de poderes envolvidos, de instituições envolvidas e atingindo políticos, ministros do STF, atingindo o Banco Central", afirmou.
Ela mencionou a suspeita de que um ex-diretor de fiscalização do Banco Central estaria sendo conivente ou fazendo vista grossa para a fiscalização de um banco que financiava atividades criminosas.



