Tainá Falcão
Blog
Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Campanha quer discursos “enxutos” de Lula

Avaliação é que o presidente deve improvisar menos durante a corrida eleitoral

Compartilhar matéria

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que o petista faça discursos mais “enxutos” e improvise menos durante o ato em São Paulo, que marcará o início da disputa.

A avaliação de integrantes da campanha é que Lula precisa evitar falas muito longas e, principalmente, centradas apenas na própria trajetória.

Nos bastidores, aliados entendem que centralizar o discurso na própria biografia pode dificultar a estratégia de diminuir a rejeição do presidente.

A preocupação tem respaldo na última pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira (5), em que 52% dos entrevistados afirmam conhecer Lula e não votar nele.

A rejeição, porém, fica próxima à registrada pelo seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece com 54% dos entrevistados dizendo conhecê-lo e não votar nele.

Mais Brasil e menos Lula

Uma ala da campanha defende que Lula fale mais sobre o Brasil e menos sobre ele próprio. A ideia é insistir para que o presidente apresente melhor sua “visão de país”, defendendo realizações do governo, apontando para o que pretende fazer em um eventual quarto mandato.

Aliados também querem que Lula explore o contraste com o campo bolsonarista, reforçando o que considera serem os riscos para o país da volta desse grupo adversário ao poder.

Para essas fontes, Lula precisa dialogar com uma parcela da sociedade que ainda demonstra preocupação com os rumos da economia, inclusive o mercado.

Nesse ponto, a orientação é que o presidente consiga explicar de maneira mais objetiva o que pensa sobre crescimento econômico e, principalmente, como pretende transformar esse crescimento em melhoria de vida para a população.

A discussão sobre o formato dos discursos ganhou força depois da convenção que oficializou a candidatura de Lula à reeleição.

A campanha avaliou positivamente o evento por considerar que houve uma demonstração de unidade da centro-esquerda. Nos bastidores, porém, aliados fizeram ressalvas à duração e à falta de objetividade da fala do presidente.

O discurso foi improvisado e incorporou temas que não haviam sido discutidos antes com a equipe de campanha.

A intenção, agora, não é acabar com o improviso, uma característica do presidente, mas evitar falas que possam tirar o foco das estratégias de campanha.