Ciro Nogueira avisa Flávio que PP adotará postura neutra
Decisão impacta palanques estaduais e nacional
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), comunicou pessoalmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que a federação União Progressista optou por adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República.
A conversa ocorreu após a reunião da cúpula da federação que consolidou o entendimento de que PP e União Brasil não estariam formalmente em nenhum palanque nacional. Como mostrou a CNN, nesta quarta, a maioria das lideranças das duas legendas defendeu preservar a autonomia dos diretórios estaduais.
Apesar da negativa, o PL considera que a negociação está longe do fim.
A direção do partido descartou lançar uma chapa pura, com a vice indicada pelo PL. A orientação é manter a vaga de vice em aberto enquanto continuam as conversas com partidos do centrão, entre eles, também, Republicanos que têm filiada a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, citada como opção para compor com Flavio.
A prioridade, porém, segue sendo convencer Ciro Nogueira a rever a posição de neutralidade. Para isso, o partido prepara uma nova ofensiva, que deverá contar com um apelo do ex-presidente Jair Bolsonaro ao presidente nacional do Progressistas.
A avaliação dentro do PL é que Bolsonaro ainda mantém uma relação de confiança com Ciro e poderá sensibilizá-lo a manter um canal aberto para uma composição até o fim das convenções partidárias.
Nos bastidores, no entanto, integrantes do PP afirmam que a decisão de Ciro também teve como pano de fundo o desgaste da relação com Flávio Bolsonaro em meio às revelações envolvendo sua relação próxima com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no escândalo do Master.
Interlocutores de Ciro afirmam que o presidente do PP se sentiu abandonado por Flávio durante o episódio. Auxiliares esperavam uma manifestação pública de solidariedade por parte do pré-candidato, o que acabou não acontecendo. O distanciamento entre os dois esfriou a interlocução justamente no momento em que o PL tentava consolidar uma aliança nacional com o Progressistas.
Outro elemento considerado por Ciro é o cenário eleitoral no Piauí, já que o senador deverá disputar uma das vagas ao Senado em uma eleição considerada difícil contra o PT e aliados do presidente Lula. Interlocutores observam que Ciro reduziu significativamente o tom das críticas ao governo nos últimos meses, sinalizando para a possibilidade de diálogo com aliados do presidente.
O núcleo duro da campanha de Flávio Bolsonaro deve se reunir nesta sexta-feira para discutir os próximos passos da candidatura. Entre os principais temas estarão a estratégia para escolha da vice e a relação com os partidos do centrão.
Nos bastidores, porém, interlocutores dos dois partidos admitem que a decisão de Ciro tornou a construção da aliança mais difícil e descartam recuo mesmo com a atuação direta de Jair Bolsonaro.
PP fica neutro no Rio
A decisão da federação União Progressista de adotar neutralidade na disputa presidencial impactou uma composição com a chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no Rio de Janeiro.
O PP não indicará mais o candidato à vice do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo do estado.
A avaliação feita por dirigentes da federação é que seria incoerente defender neutralidade na corrida ao Planalto e, ao mesmo tempo, integrar formalmente uma chapa do PL no estado.
Apesar da mudança na composição para o governo, a disputa ao Senado permanece aberta.
Hoje, o ex-prefeito de Belford Roxo, Rogério Canella (União Brasil), continua sendo o principal nome da federação para disputar uma vaga ao Senado na chapa encabeçada por Douglas Ruas.



