Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Lula e Campos buscam saída para destravar palanques

PT e MG são prioridade; agenda será em Brasília

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), presidente do PSB, devem se reunir nesta quinta (27), em Brasília, para discutir impasses regionais nas eleições de outubro. O encontro deve contar também com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Para Lula, Minas Gerais se tornou o principal foco de preocupação das eleições estaduais, já que se trata do segundo maior colégio eleitoral do país, portanto, historicamente estratégico para garantir um palanque competitivo e a vitória da disputa nacional.

Hoje, o plano do PT e do PSB em Minas depende de uma eventual candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ao governo. Lula trata Pacheco como seu principal nome para enfrentar a direita e consolidar uma ampla aliança entre PT, PSB, MDB e setores de centro. A filiação de Pacheco ao PSB, articulada por João Campos e Alckmin, foi vista como um movimento para sacramentar o projeto de Lula em Minas, o que ainda não aconteceu.

A percepção, no entanto, é de que Pacheco pode desistir da disputa a qualquer momento. Integrantes do PT admitem que o senador nunca demonstrou entusiasmo pela candidatura e avaliam que a indefinição começa a comprometer a estratégia eleitoral do governo no estado.

Sem Pacheco, o PT tem dificuldade para construir um nome competitivo em Minas. O “plano B” ainda é considerado frágil dentro da coalizão governista. O empresário Josué Alencar passou a ser citado como alternativa, mas dirigentes petistas reconhecem que ele não possui hoje estrutura política consolidada nem presença eleitoral no estado.

Além de Minas, São Paulo também entrou no radar da negociação entre Lula e Campos. O principal impasse envolve a disputa pelas duas vagas ao Senado na chapa do ex-ministro Fernando Haddad (PT).

Uma delas já está praticamente reservada para a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), filiada ao partido de Campos para a disputa. A segunda virou alvo de embate entre o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), e a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).

O PSB pressiona Lula para garantir França no Senado e argumenta que ele abriu mão de disputas anteriores em nome da aliança com o PT e da construção do projeto nacional de Lula.

O Distrito Federal também se transformou em foco de atrito entre PT e PSB e passou a incomodar diretamente João Campos.

Integrantes do PSB reclamam da decisão do PT de lançar o ex-presidente do Iphan Leandro Grass como pré-candidato ao governo do DF, movimento interpretado como tentativa de esvaziar a candidatura do ex-secretário Ricardo Cappelli (PSB).

Aliados de João Campos afirmam reservadamente que esperavam um gesto de Lula em favor de Cappelli. O desconforto aumentou após dirigentes petistas passarem a trabalhar para convencer Cappelli a desistir da disputa e apoiar uma composição liderada por Grass.

O partido teme perder espaço justamente em regiões onde esperava ampliar protagonismo político a partir da aliança nacional com Lula e Alckmin.

João Campos também espera receber de Lula sinais mais claros sobre Pernambuco, onde é pré-candidato ao governo contra a atual governadora Raquel Lyra (PSD). O PSB quer atuação de Lula para barrar movimentos que fortaleçam adversários locais e candidatos alinhados ao ex-prefeito.