Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Planalto acredita que crise com os EUA deve se aprofundar até eleições

Brasil descarta trégua e resiste à pressão por embaixador

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O Palácio do Planalto avalia que a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos deve se aprofundar ainda mais até as eleições de outubro.

Fontes da diplomacia acreditam que não haverá espaço para uma distensão em curto prazo e acreditam que há uma estratégia em curso para aumentar a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com movimentos que miram a disputa de outubro.

A escalada da crise ocorre após o governo Donald Trump indicar, em junho, o deputado estadual da Flórida Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

Para assumir o cargo, o indicado depende do chamado agrément, uma autorização formal do governo brasileiro. O Planalto, no entanto, decidiu desacelerar a análise do pedido e defende que não deverá atender os Estados Unidos sob pressão.

Na prática, interlocutores de Lula afirmam que a demora é natural e que não há prazo previsto pela Convenção de Viena para conceder a autorização.

Sob reserva, porém, integrantes do Itamaraty e do entorno de Lula argumentam que os Estados Unidos permaneceram cerca de um ano e meio sem um embaixador titular no Brasil e passaram aproximadamente um ano sem indicar representações diplomáticas para cerca de 90 países.

Na avaliação dessas fontes, isso enfraquece o argumento de urgência apresentado agora por Washington e reforça a ideia de que os americanos têm atuação coordenada sobre as eleições no Brasil.

Auxiliares do presidente afirmam que o governo americano pretende ter em Brasília um representante alinhado ao presidente Donald Trump, capaz de produzir avaliações em sintonia com a estratégia da Casa Branca, colocando em xeque a lisura do sistema e promovendo o principal adversário de Lula nas urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Interlocutores do governo também afirmam que, desde junho, quando a relação bilateral entrou em uma nova fase de tensão, “tudo é possível” nas relações entre os dois países. Por isso mesmo, não viram com surpresa a decisão de Washington de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A expectativa é de que novas medidas de pressão por parte dos EUA aconteçam nos próximos meses, incluindo a ampliação de tarifas, além de preocupação com uma eventual atuação das grandes plataformas de tecnologia durante a campanha.

O governo brasileiro respondeu oficialmente à decisão americana e afirmou que são falsas as justificativas apresentadas por Washington para revogar o visto da embaixadora. O Itamaraty ressaltou que o pedido de agrément continua em análise, que não existe prazo para sua concessão e afirmou que vistos foram negados apenas a autoridades americanas que, supostamente, pretendiam colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, caracterizando uma tentativa inaceitável de interferência em assuntos internos do país.