Análise: caso Chiquinho Brazão mostra que opinião pública move política da direita à esquerda
Política ensaiou um estado de choque e buscou uma saída mais pragmática antes da votação de quarta-feira (10)

Durou pouco a perplexidade com que muitos políticos encararam a revelação de que um deputado federal era o suspeito da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL).
Ao deparar-se com um caso de polícia para além daqueles mais comuns no meio, a política ensaiou um estado de choque e buscou uma saída mais pragmática: um pedido de vista, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que empurrou a votação para duas semanas adiante.
Após um período de recesso, muitos deputados voltaram à Câmara com argumentos jurídicos na ponta da língua para rechaçar a prisão de Brazão.
Colocou-se em xeque o flagrante delito por crime de obstrução de justiça, usado como argumento pelo Supremo, e uma suposta fragilidade nas provas — a despeito do robusto relatório da Polícia Federal sobre o assassinato.
O movimento da oposição, capitaneado pelo PL de Jair Bolsonaro, rapidamente ganhou aliados do Centrão.
O líder do União Brasil, Elmar Nascimento, apressou-se em revelar, um dia antes da votação, a orientação pela soltura de Brazão.
Aliado de primeira hora de Lira e candidato à sucessão na Câmara, Elmar flertava com o fiel da balança na disputa de 2025.
Com sete votos a favor da prisão e 5 abstenções, contrariando indicação da liderança à bancada de Bolsonaro, os dissidentes do PL mostraram a quem devem fidelidade — e não era ao ex-presidente.
No fim, o caso Chiquinho Brazão serviu para mostrar que a opinião pública tem efeito em setores da direita à esquerda e que o conservadorismo predominante na Casa surte efeito, mas tem limites.



