Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Análise: Congresso se alinha ao governo contra Trump

Presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, se colocam à disposição para defender economia do país

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Integrantes do governo brasileiro reagiram positivamente à nota conjunta dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em reação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Avaliação é de que a mensagem divulgada pelo Legislativo na quinta-feira (10), está em linha com o que defendeu, anteriormente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente com a menção à aplicação da Lei da Reciprocidade, aprovada nas duas Casas Legislativas no início deste ano, e que permite contramedidas em casos de retaliações comerciais.

Ainda que visto com otimismo pelo Palácio do Planalto, o gesto do Congresso era esperado com mais antecedência. Auxiliares de Lula esperavam um posicionamento de Hugo e Alcolumbre ainda na quarta (9), quando Trump anunciou o aumento de 50% das tarifas.

No Legislativo, porém, havia a percepção de que era preciso esperar reações iniciais do governo sob risco de escalar a crise internamente, quando parlamentares governistas e de oposição disputavam a narrativa em plenário com a troca de acusações mútuas.

Alvo de críticas de Trump, inicialmente, o STF (Supremo Tribunal Federal) concentrou reações no Executivo. Apesar de ministros avaliarem à CNN demora do governo em se posicionar na crise que se avizinha desde maio, quando o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, admitiu “grande possibilidade” de aplicar sanções ao ministro Alexandre de Moraes.

Apesar de mencionada por Lula e pelo Congresso, a Lei de Reciprocidade é vista com ressalva por setores afetados pela taxação que avaliam pressão ainda maior sobre preços e juros no Brasil, caso a medida seja mesmo adotada.

Nesta quinta (10), em entrevista à CNN, o presidente do Instituto do Aço, Marco Polo Lopes, disse que é necessário serenidade para "baixar a temperatura" e retornar as negociações, apesar do estresse no plano político.

A CNN mostrou que o governo teme comprometer negociações em curso sobre tarifas impostas previamente ao Brasil - sobre aço e alumínio. A sugestão do Itamaraty ao Planalto é ainda por cautela, a fim de evitar prejuízos ao Brasil.