Brasil aposta em Trump para arquivar apuração sobre Pix
Pauta deve ser levada por Lula a reunião nos EUA
Com a viagem de Lula aos Estados Unidos para se reunir com Donald Trump, o governo brasileiro aposta que, a depender do resultado do encontro, o americano pode ter maior influência sobre a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil e que tem o Pix entre os alvos.
Esse deve ser um dos assuntos abordados pelo presidente Lula na conversa com Trump, em Washington, nesta quinta (7).
A investigação está em curso no USTR, o escritório do representante comercial dos Estados Unidos. A leitura no Planalto é de que, embora a investigação seja formalmente técnica, o contexto político poderá ser levado em conta pelo presidente americano.
O Pix virou alvo da investigação americana por ser visto como um modelo estatal que reduz espaço de atuação de empresas privadas internacionais de pagamentos e cartões. Hoje, o sistema já responde por mais da metade das transações financeiras no Brasil.
A aposta sobre a investigação aumenta a tensão no Planalto às vésperas da viagem de Lula aos EUA. Nesta semana ainda, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer disse, em entrevista à CNBC, que espera concluir as apurações “nos próximos meses” e que Washington avalia práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.
A investigação dos EUA tem como base a chamada “Seção 301 da Lei de Comércio de 1974”, um instrumento da legislação americana que autoriza o governo americano a investigar práticas externas consideradas desleais ou prejudiciais às empresas americanas.
Na prática, a Seção 301 permite que os EUA adotem medidas unilaterais, a exemplo de tarifas extras ou restrições comerciais. A medida já foi usada em disputas comerciais com a China e agora passou a incluir o Brasil como opção.
A reunião entre Lula e Trump acontece em um momento de tentativa de distensão entre os dois governos. Além do Pix, também devem entrar na pauta temas como tarifas comerciais, minerais críticos e cooperação em segurança.



