Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Congresso admite manter IOF com ajustes

Reduzir cobrança sobre novas operações está entre opções

Fachada do Congresso Nacional
Fachada do Congresso Nacional  • Pedro França/Agência Senado
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Às vésperas de uma reunião com o governo para discutir alternativas à elevação do IOF, deputados e senadores articulam internamente propostas que pretendem apresentar ao ministro Alexandre de Moraes na próxima terça-feira (15), durante audiência de conciliação entre Executivo e Legislativo.

As discussões começaram ainda quando parlamentares estavam em Lisboa, na semana passada, para um fórum promovido pelo ministro do Supremo, Gilmar Mendes. A CNN apurou que parlamentares discutiram com Moraes alternativas que podem servir de consenso entre os Poderes e evitar uma decisão do Judiciário.

Líderes confirmaram à CNN que uma das alternativas seria aceitar o aumento do IOF sobre operações que já são cobradas hoje, desde que novas cobranças sejam descartadas.

Esses parlamentares defendem deixar de fora a cobrança sobre o chamado risco sacado — uma forma de antecipação de recebíveis utilizada por empresas, especialmente varejistas e indústrias, para pagar fornecedores quando não possuem caixa suficiente no momento da compra. Além de preservar o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), espécie de previdência privada.

Ainda na mesa do Congresso, está a redução do valor arrecadado pelo governo com o aumento do IOF. A arrecadação cairia de R$ 20 bilhões para R$ 5 bilhões. Outras medidas seriam aproveitadas para compor o caixa do governo, a exemplo da redução linear dos benefícios tributários em 10%.

A ideia, segundo líderes, é conseguir separar exatamente o que — dentro do decreto — tem caráter arrecadatório e o que é de iniciativa regulatória.

Nesta sexta, Congresso e governo devem apresentar argumentos que devem substanciar o ministro Moraes para a reunião da próxima semana. Até agora, o governo não deu sinais de que vai ceder e desistir do decreto, apesar de demonstrar abertura para negociar ajustes.