Governo busca Hugo para tentar frear pacote bilionário
Fazenda vê impacto de R$ 270 bi se propostas avançarem

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve concentrar esforços para frear a aprovação na Câmara dos Deputados de pautas vistas pelo governo como de alto impacto fiscal.
Por enquanto, a pauta da Câmara segue trancada, ou seja, sem possibilidade de votações, pela perda da urgência do PL (Projeto de Lei) enviado pelo governo que acaba com a escala 6x1.
A Fazenda acredita que o governo deve ceder no pedido de urgência em breve. Por isso, Durigan se antecipará em uma conversa com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Para auxiliares do ministro, o diálogo tem mais chances de prosperar dado o período de boa relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Motta.
Nos bastidores da Fazenda, a avaliação é de que os senadores “passaram a boiada” ao avançar com propostas de alto impacto fiscal, mesmo diante dos alertas do governo sobre os efeitos nas contas públicas.
A interlocutores, Durigan tem defendido que a saída, neste momento, é política e não jurídica. Por isso, o governo descarta recorrer por ora ao STF (Supremo Tribunal Federal) sem antes esgotar frentes de negociação.
A avaliação é que a judicialização ampliaria o desgaste com o Congresso Nacional e dificultaria a construção de uma saída negociada.
Antes da votação desta quarta-feira (10), Durigan procurou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para manifestar preocupação com o avanço da pauta. Alcolumbre teria dito ao ministro que atuaria para adiar a votação, mas que uma saída não dependia apenas dele.
As propostas classificadas pela Fazenda como “pautas-bomba” incluem a ampliação da renegociação de dívidas rurais, mudanças em regras previdenciárias para categorias específicas e a criação de novos pisos salariais. Segundo a Fazenda, o impacto fiscal das medidas pode alcançar R$ 270 bilhões ao longo da próxima década.



