Governo já precifica novo tarifaço dos EUA e prepara reação
Planalto alinha discurso após anúncio esperado para esta terça-feira
Na iminência de um anúncio oficial, o governo federal já trabalha com o cenário da confirmação de uma nova tarifa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a decisão está praticamente tomada por Washington e preparam, agora, uma resposta assim que o anúncio oficial for feito.
A avaliação interna é de que não há, até o momento, qualquer indicação clara sobre quais setores brasileiros poderão ser poupados. Conforme antecipado pela CNN, o chefe do USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca), Jamieson Greer, disse a interlocutores do governo Lula que já levou para o presidente Donald Trump a recomendação final de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros, mas sinalizou um aumento da lista de exceções.
No governo, a percepção é de que a pressão da indústria dos Estados Unidos tem forte peso no processo. Interlocutores classificam o movimento como uma postura protecionista, que leva em conta a defesa de interesses internos em detrimento das relações comerciais com o Brasil.
Esses interlocutores recordam que o governo acompanha, há cerca de um ano, a possibilidade de adoção de medidas pelos EUA e, desde então, buscou intensificar as negociações diplomáticas. Agora, porém, a orientação é aguardar a confirmação oficial antes de qualquer reação.
A expectativa é que, após a divulgação das tarifas, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) publique uma nota reforçando a posição do governo brasileiro em defesa da soberania e com detalhes sobre as relações comerciais entre os dois países.
Na terça-feira (14), véspera do prazo final para o anúncio das medidas, o governo divulgou uma nota após a última reunião entre representantes brasileiros e o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro reuniu equipes dos ministérios da Indústria, das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência.
Na nota, o governo voltou a criticar as medidas e afirmou que foi “reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas”, tanto da tarifa de 25% decorrente da investigação da Seção 301 específica para o Brasil quanto da sobretaxa de 12,5% relacionada ao tema de trabalho forçado.
O comunicado também afirma que “nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas” e reforça que, por orientação do presidente Lula, “a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”.



