Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Governo se divide sobre reação de Trump em visita de Lula

Aliados do presidente evitam "alardear" encontro sob receio de revés

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A ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos, nesta quinta-feira (7), para um encontro com o presidente Donald Trump, divide o governo brasileiro entre aqueles que enxergam a visita como uma oportunidade para Lula se posicionar como bom negociador e outros que veem a conversa como um risco contratado.

A avaliação de interlocutores, no Palácio do Planalto, é de cautela diante da imprevisibilidade de Trump, sobretudo diante das câmeras.

Há receio não apenas sobre o que sairá de concreto deste encontro, com dúvidas ainda sobre avanços em assuntos sensíveis, mas mais ainda sobre a forma como o presidente americano costuma conduzir essas reuniões.

Dois episódios são citados por auxiliares de Lula como alerta. Um deles diz respeito a visita do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa à Casa Branca, quando Trump passou a confrontar a liderança africana com alegações de que havia um “genocídio” contra fazendeiros brancos na África do Sul.

Outro caso emblemático envolve o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky que também enfrentou um encontro tenso com Trump, com acusações dos dois lados sobre a guerra na Ucrânia e a ajuda dos EUA ao país.

A agenda do encontro de Lula e Trump é extensa, com negociações sobre minerais críticos (terras raras), tarifas, além da cooperação em segurança pública e o combate ao crime, que inclui a possibilidade de os EUA classificarem facções brasileiras como organizações terroristas, algo visto como prejudicial ao Brasil.

Apesar do receio em torno do encontro, Lula e Trump já estiveram juntos antes e conversaram por telefone. O Planalto defende que o contato nunca foi interrompido já que diplomatas brasileiros e técnicos em comércio mantiveram diálogo com representantes americanos.

Aliados de Lula evitam tratar o encontro como um grande feito para a relação entre os dois países. A avaliação predominante no Planalto é que, embora haja dúvidas sobre o resultado das negociações, o maior fator de incerteza continua sendo o comportamento de Trump, que se negativo, pode dar munição aos opositores do presidente.

Além disso, o presidente vinha apostando em dar sobrevida ao discurso de soberania nacional, o que necessariamente implicaria aumentar críticas ao presidente americano.

Ainda em abril, Lula criticou Trump sobre a condição da guerra no Oriente Médio, dizendo que nenhum líder tem o direito de “acordar e ameaçar um país”. Ele classificou esse tipo de postura como perigosa e fora dos limites constitucionais dos EUA.

Pesquisa Real Time Big Data, desta terça (6), indica que o apoio de Trump a um candidato no Brasil é rejeitado por 35% da população.