Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Juízes recorrem ao Senado para salvar aposentadoria compulsória

Magistrados atuaram para suspender proposta na CCJ

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A intensa atuação de representações de juízes e procuradores reverteu-se em um adiamento da análise de uma Proposta de Emenda à Constituição, que acaba com a aposentadoria compulsória como punição máxima para militares, magistrados e membros do Ministério Público.

Após um périplo pelos gabinetes, na terça-feira (17), as categorias garantiram um pedido de vista com o senador Sergio Moro (União Brasil-PR), durante a votação desta quarta (18), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

A CNN apurou que, além de Moro, outros senadores foram acionados, a exemplo de Carlos Portinho (PL-RJ), do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA) e da relatora da PEC, Eliziane Gama (PSD-MA).

Eliziane teria sugerido que os representantes buscassem um parlamentar disposto a apresentar uma emenda contrária ao parecer. A alternativa é considerada dificílima, entre parlamentares, diante do custo político de defender o que consideram uma pauta negativa, sobretudo, em ano eleitoral.

A CCJ decidiu que fará, na próxima quarta, uma audiência pública, com votação prevista para a semana seguinte.

A PEC relatada por Eliziane Gama estabelece que, em casos de faltas graves, poderá haver a perda do cargo, inclusive para funções vitalícias, como as da magistratura e do Ministério Público.

Atualmente, a aposentadoria compulsória é a penalidade mais severa aplicada a juízes e promotores em processos administrativos.

Na prática, ela afasta o agente do cargo, mas garante o recebimento proporcional de benefícios.

No parecer apresentado à comissão, Eliziane argumenta que o uso da aposentadoria como punição representa um desvio de finalidade, já que o instituto possui natureza previdenciária.

Segundo a relatora, a manutenção de remuneração a agentes punidos por infrações graves contribui para a percepção de impunidade e compromete a credibilidade das instituições.

O relatório afirma ainda que a medida busca fortalecer o princípio da moralidade administrativa e permitir sanções mais proporcionais à gravidade das condutas, além de eliminar distorções históricas entre diferentes categorias do serviço público.

A discussão no Senado ocorre paralelamente a uma decisão recente do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino, autor da PEC quando ainda era senador. Dino entendeu que a aposentadoria compulsória não pode mais ser aplicada como punição disciplinar, “à luz das mudanças introduzidas pela Reforma da Previdência de 2019”.