PF periciou apenas 1/3 de um dos celulares de Vorcaro
Agentes têm 100 dispositivos apreendidos na investigação que precisam de perícia

A Polícia Federal analisou apenas cerca de um terço do conteúdo do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As informações recolhidas no celular do banqueiro municiaram a decisão do ministro André Mendonça para sustentar a prisão de Vorcaro. A investigação aponta para a atuação de um grupo de pessoas próximas a Daniel Vocaro para monitorar pessoas consideradas adversárias e obter informações sigilosas.
A investigação ainda tem um extenso volume de dispositivos apreendidos para analisar, mais de 100 celulares, computadores e HDs externos à espera de perícia.
Segundo a investigação, Vorcaro participava de um grupo chamado “A Turma”, que teria sido criado para obter informações sigilosas e monitorar pessoas consideradas prejudiciais aos interesses do banco.
De acordo com a Polícia Federal, um dos integrantes do grupo seria Luiz Phillipi Mourão, responsável por atividades de coleta de dados e monitoramento de alvos. As investigações apontam que ele teria utilizado credenciais de terceiros para acessar sistemas restritos, incluindo bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público e até de organismos internacionais.
Mensagens encontradas no telefone indicam ainda que Vorcaro teria cogitado simular um assalto para agredir um jornalista que publicava reportagens críticas ao banco, sugerindo “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do profissional.
Daniel Vorcaro voltou a ser preso nesta quarta-feira (4), por determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). A operação apura crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas informáticos, supostamente praticados por uma organização criminosa ligada ao banqueiro.
A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também foi preso. Ele é apontado pelos investigadores como um dos integrantes do grupo investigado.
Daniel Vorcaro foi preso, pela primeira vez, em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito supostamente fraudulentos no sistema financeiro. Na ocasião, ele foi detido no Aeroporto de Guarulhos e posteriormente liberado mediante uso de tornozeleira eletrônica.

