PF quer ouvir deputado Júnior Mano ainda nesta semana
Gabinete do deputado do Ceará foi alvo de busca e apreensão; ele é suspeito de desvio de emendas parlamentares no estado
A PF (Polícia Federal) deverá ouvir, nos próximos dias, o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) no âmbito da investigação que apura o desvio de emendas parlamentares no Ceará. Pela lei, não há prazo para que o investigado seja ouvido.
A investigação apura a suspeita de que o parlamentar tenha atuado em conluio com um prefeito eleito de uma cidade próxima, em uma organização criminosa que negociava emendas com gestores públicos em troca de comissão. A investigação teve início a partir da denúncia da prefeitura de Canindé (CE).
Segundo fontes da PF, a prisão do parlamentar não está descartada, ainda que um mandado não tenha sido expedido até o momento.
Essa é uma das mais de 20 apurações que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo desvios de emendas parlamentares.
De acordo com a PF, neste caso, Mano Júnior é o único parlamentar alvo da operação, apesar de o Supremo ter expedido 15 mandados de busca e apreensão, ao todo. Outras cinco pessoas também foram alvo da operação da PF desta terça. A corporação não divulgou nomes,
As condutas investigadas envolvem os crimes de organização criminosa, captação ilícita de sufrágio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica com fim eleitoral.
Busca e apreensão na Câmara
A operação desta terça foi acompanhada pela Polícia Legislativa e pela Advocacia da Câmara dos Deputados.
O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi informado pelo Diretor-Geral da PF, Andrei Rodrigues, quando a operação já estava em curso no gabinete do deputado Mano Júnior. A Câmara não deverá se posicionar sobre o assunto.
O PSB, partido do deputado alvo da investigação, divulgou uma nota defendendo que “todos os fatos sejam investigados e esclarecidos o mais breve possível, respeitando o devido processo legal e a ampla defesa.”
O que diz Júnior Mano
Em nota, o deputado federal Júnior Mano negou ter "qualquer participação em processos licitatórios, ordenação de despesas ou fiscalização de contratos administrativos".
"Como parlamentar, o deputado não exerce qualquer função executiva ou administrativa em prefeituras, não participa de comissões de licitação, ordenação de despesas ou fiscalização de contratos administrativos", disse.
No texto, o parlamentar disse confiar nas instituições e reiterou seu compromisso "com a legalidade, a transparência e o exercício probo da função pública".
"Tem plena convicção de que, ao final da apuração, a verdade dos fatos prevalecerá, com o completo esclarecimento das circunstâncias e o reconhecimento de sua correção de conduta", afirmou.



