Presidente do Conselho de Ética admite dificuldades para punir Eduardo
Fábio Schiochet diz à CNN que parlamentares têm receio de “colocar digital no processo” e que proximidade das eleições dificulta até mesmo cassação por faltas
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Fábio Schiochet (União Brasil-SC), admite dificuldades da Câmara para aprovar qualquer tipo de punição a Eduardo Bolsonaro.
Schiochet afirma que parlamentares têm receio de “colocar digital no processo” e que a proximidade das eleições dificultará até mesmo a perda de mandato por faltas.
“Já escutei: 'não vou colocar minha digital no processo'. E a presidência da Câmara tem que ter maioria na Mesa [diretora] para cassá-lo por faltas.”
Uma das possibilidades aventadas nos bastidores é que a Câmara pode apenas declarar a suspensão do parlamentar, o que o permitiria concluir o mandato.
Fora do Brasil desde fevereiro, Eduardo atingirá o limite de faltas autorizadas ainda em novembro. Mas a Secretaria-Geral da Mesa tem até dia 5 de março de cada ano para encaminhar à Presidência da Casa o relatório de frequência dos parlamentares. E a expectativa é a de que o relatório seja enviado a Hugo no fim do prazo.
Nesta quarta-feira (22), o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu arquivar, por 11 votos a 7, a ação que poderia cassar o mandato de Eduardo.
O filho do ex-presidente Bolsonaro era alvo de representação por quebra de decoro parlamentar. O processo foi aberto a partir de uma ação apresentada pelo PT, que questionava a articulação de Eduardo com autoridades norte-americanas contra "instituições do Estado brasileiro, com especial virulência contra o Supremo Tribunal Federal e seus ministros”.
A maioria do colegiado acompanhou o voto do relator, deputado Delegado Marcelo Freitas (União-MG), que apresentou parecer pelo arquivamento. Após o anúncio do resultado, o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ) anunciou que vai apresentar recurso ao plenário.



